Retorno da seleção ao palco do 7 a 1 não assusta Tite: ‘Outro momento’

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O técnico Tite terá contra a Argentina seu maior teste até o momento à frente da seleção, e sabe que um jogador em especial precisará ser parado: Lionel Messi

Não bastasse toda a rivalidade do confronto, o duelo entre Brasil e Argentina no próximo dia 10 é envolto em enorme expectativa por causa do local do jogo, marcado para o Mineirão, em Belo Horizonte. Será a primeira vez que a seleção brasileira vai jogar no estádio onde foi massacrada pela Alemanha nas semifinais da Copa do Mundo de 2014. Sempre que é questionado sobre os 7 a 1, o técnico Tite não foge do tema, mas na entrevista coletiva que se seguiu à convocação da seleção, nesta sexta-feira, o treinador afirmou que "estamos em outro momento".

Para Tite, os jogadores não deverão sentir qualquer pressão extra. "O trabalho psicológico parece que ao longo do tempo já foi perfeitamente colocado, e segue sendo. É verdade esse fato (7 a 1), mas também é verdade que dois anos se passaram, assim como uma série de circunstâncias. É uma constatação. Aconteceu e passou. Estamos em outro momento", afirmou o treinador.

Ele disse que mesmo os jogadores que estiveram em campo naquela semifinal e que foram convocados para o confronto diante da Argentina não podem receber uma cobrança maior. Para tanto, Tite lembrou um fato ainda da época em que foi treinador do Caxias, time do interior gaúcho, no ano 2000.

"Lembrei de uma história que tive com um diretor, Enio Costamilan (falecido em 2009), que eu tinha no Caxias. Estávamos falando de um momento de insucesso que nós tínhamos na equipe, e ele sabiamente disse assim: 'Não, eu não vou abrir mão desses jogadores pelo insucesso que eles tiveram'. Eu fiquei na dúvida, e ele me disse 'sabe por quê? Porque eles aprenderam. A vida é aprendizado, não só com sucesso'. Se serve para esses atletas, talvez sirva para todos nós", ponderou o técnico.

"Reitero: o resultado negativo que aconteceu não foi de uma equipe ou de um jogador. Foi de todos nós. Eu me senti perdedor nessa situação (7 a 1). A gente aprende com virtudes, acertos e erros. Eu tive insucesso em três meses como treinador em Minas. Acontece, é da vida", considerou Tite.

Para ele, o confronto contra a Argentina será especial. "É meu primeiro Brasil x Argentina, e eu não tenho adjetivo para colocar. Estou vivendo um sonho que todo técnico brasileiro gostaria de estar. Participar de um jogo desses com tamanha rivalidade e história… Não sei que adjetivo usar, talvez honra."


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Tite fala em esquema para 'diminuir ações de Messi' contra a seleção

O técnico Tite terá contra a Argentina seu maior teste até o momento à frente da seleção, e sabe que um jogador em especial precisará ser parado: Lionel Messi, considerado pelo próprio treinador do Brasil como "o melhor do mundo do momento". Tite, contudo, já anunciou que seu esquema de marcação para o argentino não passará por um esquema individualizado. Ele quer marcação coletiva, e para tanto espera contar com informações de Neymar e Daniel Alves.

"Temos que analisar como o mecanismo da Argentina potencializa o Messi. Vamos estudar os detalhes. A gente não retira de um grande jogador a sua virtude e genialidade, mas a gente pode diminuir as ações, e isso a gente pode fazer. Mas tem que ser coletivo", avaliou Tite.

O treinador descartou a possibilidade de colocar um jogador específico da seleção para marcar Messi. "Se eu fizer isso vou colocar o cara na alça de mira e dizer que a responsabilidade é dele. Futebol não é assim", ponderou o treinador.

Tite disse ainda que Neymar, que atua ao lado de Messi no Barcelona, e Daniel Alves, que jogou por muitos anos ao lado do argentino no clube catalão, serão importantes para armar uma maneira de controlar as ações do jogador.

"Os dois podem dar detalhes, os dois podem ajudar e devem ajudar. Com certeza vou falar com eles. Claro que vou. Todas as informações possíveis para que eu possa interpretá-las vão ser tratadas", disse o técnico.
 


No retrospecto contra a seleção brasileira, Messi leva a pior em sete duelos

A preocupação do técnico Tite com Messi é natural. O craque do Barcelona tem talento suficiente para causar estragos em uma fração de segundo. Mas o treinador terá o retrospecto como aliado para o jogo pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, em 10 de novembro, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. O argentino leva desvantagem no confronto contra o Brasil.

Com o atacante em campo foram sete jogos, com quatro vitórias da seleção brasileira. Messi saiu vitorioso duas vezes. Brasil e Argentina ainda empataram uma vez. Coincidentemente, o único resultado de igualdade foi em 2008, por 0 a 0, no Mineirão, em confronto válido pelas Eliminatórias da Copa de 2010, na África do Sul. Mesmo local e competição do próximo encontro.

A primeira vez de Messi contra o Brasil terminou com show brasileiro. A seleção, então comandada pelo técnico Dunga, que assumiu o lugar de Carlos Alberto Parreira após o vexame na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, venceu por 3 a 0, em amistoso disputado no Emirates Stadium, em Londres. Titular, o argentino pouco fez.

O placar de 3 a 0 se repetiu no segundo encontro. Desta vez com um peso maior. Na final da Copa América de 2007, em Maracaibo, na Venezuela, o Brasil conquistou o título com gols de Júlio Baptista, Daniel Alves e Ayala (contra), em outra atuação apagada do argentino.

Naquela altura, Messi buscava se livrar do rótulo de freguês da seleção. Mas o quarto confronto – o terceiro foi o empate sem gols em 2008 -, mais uma vez terminou com vitória do Brasil. Em 2009, em Rosario, cidade natal do argentino, o Brasil venceu por 3 a 1, pelas Eliminatórias. Diego Maradona era o técnico da Argentina. Luis Fabiano marcou duas vezes e Luisão anotou o outro. Dátolo descontou.

A primeira vitória de Messi contra o Brasil aconteceu em amistoso de 2010. E o craque foi decisivo ao marcar o gol da vitória por 1 a 0, no Khalifa International Stadium, em Doha (Catar). O técnico da seleção brasileira era Mano Menezes e o vilão foi Douglas, que perdeu a bola no meio de campo para Banega no início da jogada.

A melhor atuação do craque veio no jogo seguinte, em 2012. Contra uma seleção formada quase que totalmente por jogadores sub-23 – o Brasil se preparava para os Jogos Olímpicos de Londres -, Messi marcou três gols na vitória por 4 a 3, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Herói em um jogo, vilão no outro. No último encontro, em 2014, Messi desperdiçou uma cobrança de pênalti, defendida por Jefferson, e viu a seleção brasileira vencer por 2 a 0, com dois gols de Diego Tardelli. A vitória garantiu ao Brasil, novamente sob o comando de Dunga, o título do Superclássico das Américas, que teve a sua terceira edição disputada na China.

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