Museu Fittipaldi tenta reaver carros penhorados na Justiça

Foto: Reprodução

O argumento utilizado pela equipe de Fittipaldi é o de que os carros, taças e demais objetos levados do escritório são de propriedade do Museu, e não da EF Marketing ou da pessoa física de Fittipaldi

O Museu Fittipaldi está tentando reaver os carros de corrida do ex-piloto brasileiro Emerson Fittipaldi, que foram penhorados pela Justiça na semana passada. Nesta sexta-feira, a instituição entrou com um embargo de terceiro para tentar retomar a posse dos veículos.

Juridicamente, um embargo de terceiro significa uma medida processual que tem a intervenção de uma terceira pessoa (no caso o Museu Fittipaldi) em um processo que se encontra em curso. O banco ABC Brasil é o autor da ação da penhora e a empresa EF Marketing, de Emerson, é o alvo do mandado judicial.

O argumento utilizado pela equipe de Fittipaldi é o de que os carros, taças e demais objetos levados do escritório são de propriedade do Museu, e não da EF Marketing ou da pessoa física de Fittipaldi. Os objetos foram doados pelo próprio Emerson ao museu na época de sua criação, em 2003. O pedido do advogado do piloto será recebido e analisado por um juiz, que definirá o mérito da decisão.

Além dos carros e taças, outros objetos foram levados do escritório de Fittipaldi no dia 30 de março, tais como quadros, computadores e até cadeiras. Os veículos apreendidos, como o Copersucar 1976 (primeiro carro brasileiro de Fórmula 1), e o Penske #20 estão em um galpão próximo ao Autódromo de Interlagos.

No Tribunal de Justiça de São Paulo, há cerca de 60 ações contra Fittipaldi, totalizando mais de R$ 27 milhões em dívidas. Também na semana passada, após a penhora, o piloto foi considerado em situação de falência, por ser um devedor que não teria como saldar suas dívidas.


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Uma malsucedida aventura no campo empresarial levou Emerson Fittipaldi 1 à situação pré-falimentar em que se encontra atualmente. O bicampeão de Fórmula 1 (1972 e 1974) decidiu trazer para o Brasil, em 2012, o Mundial de Endurance, mas o retorno não foi o esperado e as dívidas se acumularam. Emerson enfrenta cerca de uma centena de ações na Justiça do Estado de São Paulo e está com vários bens penhorados.

A dívida de Emerson Fittipaldi chega a R$ 27 milhões, segundo informou a TV Record. Na semana passada, ele teve um imóvel na avenida Rebouças, em região nobre da cidade de São Paulo, visitado por oficiais de Justiça, que penhoraram dezenas de objetos encontrados no local. Entre eles, o Fittipaldi FD-04, carro com que disputou as temporadas de 1976 e 1977 da Fórmula 1 e o Penske número 20 com o qual ganhou as 500 Milhas de Indianápolis e o título da Fórmula Indy em 1989 (seria campeão novamente da categoria em 1993).

“Há algum tempo o Emerson vive uma situação financeira muito ruim, enfrentando vários processos’’, disse ao jornal O Estado de S.Paulo fonte que convive com o bicampeão há cerca de 3 décadas. “A situação se agravou quando ele o trouxe o Endurance para o Brasil".

Emerson foi o promotor da etapa brasileira do Mundial de Endurance – categoria de protótipos esportivos e carros de turismo como Porsche, Ferrari e Audi -, realizada em Interlagos, de 2012 a 2014. Nesse período, de acordo com a fonte ouvida pela reportagem, as dívidas se acumularam. “Eram muitas em quantidade. Algumas pequenas, de R$ 5 mil a R$ 10 mil, outras maiores, de R$ 3 a R$ 4 milhões".

Os credores, a princípio, relutavam em acionar judicialmente Emerson, pelo que ele representa. Mas em 2015, quando a FIA retirou o Brasil do campeonato, justamente por causa das dificuldades financeiras do promotor, as ações passaram a ser corriqueiras. “Nos últimos meses, toda hora tinha um oficial de Justiça batendo na porta do Emerson. Em dezembro do ano passado, havia 96 processos contra ele", relatou o interlocutor próximo ao ex-piloto. “Foi quebrada a magia do nome".

O bicampeão de Fórmula 1 é cobrado por bancos públicos e privados e empresários de diversos ramos, como o dono de um posto de gasolina de Araraquara, no interior de São Paulo. No fim do ano passado, a Justiça bloqueou R$ 393.558,50 das contas bancárias de Emerson, mas em 26 delas só encontrou R$ 256,13.

No mesmo período, seus advogados conseguiram evitar a penhora do imóvel de Emerson, sob a alegação de que era o único que ele possui no Brasil. Os oficiais de Justiça também tentaram penhorar suas fazendas, mas consta que ele agora só tem uma propriedade, que está arrendada.

Por meio de nota divulgada por sua assessoria, o ex-piloto afirma que “nunca omitiu dificuldades financeiras e que sempre esteve disposto a negociar com seus credores". Diz que o volume de débitos é inferior a seu patrimônio e que as dificuldades são “resultado de um cenário financeiro e político instável que o Brasil inteiro enfrenta".

Emerson afirma acreditar que vai resolver os problemas e reclama do confisco de carros e troféus. “Os carros de competição e troféus conquistados pelo bicampeão de Fórmula 1 e das 500 milhas de Indianápolis pertencem a um museu dedicado a todos os brasileiros que amam automobilismo e, assim que esta questão for resolvida, voltarão ao local de origem", garantiu a assessoria.

Atualmente, Emerson está na Flórida, para onde foi após o agravamento da situação. Ainda não dá dados precisos sobre o seu patrimônio nos Estados Unidos.

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