Com ajuda de Medina, Mineirinho conquista mundo

Fotos: Reprodução

Após 10 anos no Circuito Mundial, Mineirinho pôde enfim comemorar seu primeiro título em uma praia lotada de brasileiros. Ele foi carregado pelos torcedores logo ao sair da água após a vitória sobre o havaiano Mason Ho na semifinal

Adriano de Souza, o Mineirinho, chegou à final da decisiva etapa de Pipeline do Circuito Mundial, ontem (17), e garantiu matematicamente o seu primeiro título mundial de surfe ao superar matematicamente o australiano Mick Fanning, que foi eliminado por Gabriel Medina na outra semifinal e não conseguiu conquistar o tetracampeonato.

Após 10 anos no Circuito Mundial, Mineirinho pôde enfim comemorar seu primeiro título em uma praia lotada de brasileiros. Ele foi carregado pelos torcedores logo ao sair da água após a vitória sobre o havaiano Mason Ho na semifinal. Aos 28 anos, ele é o segundo brasileiro a ser campeão de surfe. No ano passado, Medina conquistou o título.

Outro fato importante é que os brasileiros conquistaram os três troféus mais importantes no Havaí. Mineirinho foi campeão mundial, Gabriel Medina conquistou a Tríplice Coroa Havaiana e o troféu de campeão da etapa de Pipeline ficará entre Medina e Mineirinho, que ainda farão nesta quinta-feira a final da última etapa do ano.

Com uma trajetória marcada por superação, Mineirinho vem de família humilde do Guarujá (SP) e sempre foi considerado um surfista talentoso. Ele também tem como marca mostrar raça e lutar até o fim nas baterias. Para ele, o título mundial é a realização de um sonho de criança, que agora se tornou realidade.

A vitória de Mineirinho comprova o bom momento do surfe no Brasil, com o título de Caio Ibelli no WQS, uma espécie de segunda divisão, e a boa temporada de Filipe Toledo e Italo Ferreira, que também terminaram o ano entre os melhores do mundo.


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Infância pobre e talento precoce marcam trajetória de Mineirinho

Aos 28 anos, e em sua décima temporada no Circuito Mundial de Surfe, Mineirinho conseguiu o tão sonhado título na elite. Considerado desde cedo um talento, ele lutou muito na temporada, e na vida, para conquistar seu objetivo.

Tudo começou quando ele ainda era garoto no Guarujá, litoral paulista. Vindo de uma família com poucos recursos, ele surfava para ajudar em casa. "De onde eu vim, agradeço por estar vivo. Eu pegava ondas para colocar comida em casa."

Mineirinho cresceu num bairro pobre da cidade, o Santo Antônio, e sua casa ficava a 40 minutos da praia. Não tinha condições de ter sua própria prancha e muitas vezes dependia de algum parente para levá-lo à praia, geralmente nas Pitangueiras. Mas nada disso foi obstáculo para que ele pudesse se destacar nas ondas.

A primeira façanha foi a conquista do Mundial Junior, em 2003, com 16 anos. Dois anos depois, ele foi campeão do WQS, a divisão de acesso. Em 2006, entrou para elite, onde permanece até hoje. Com seu suor, conseguiu vitórias e patrocínios, uma casa melhor para sua família e estrutura para se dedicar ao esporte.

Hoje ele se divide entre suas duas residências: Florianópolis e Guarujá. "Minha cidade é onde me sinto em casa. Não importa onde eu estiver, levo o Guarujá dentro de mim. Sempre lutei, trabalhei e me dediquei. Nem sempre as coisas aconteciam do jeito que queria, mas com fé em Deus nunca desisti."

Sua força de vontade também ajudou a inspirar uma geração de ótimos atletas do Brasil. Apesar de jovem ele já é veterano no Circuito Mundial, e encabeça um grupo que foi apelidado de "Brazilian Storm", a tempestade brasileira, que está ganhando respeito de australianos, americanos e havaianos, as nações tradicionais do surfe.

"Para ser sincero, não me sinto um veterano. Tenho 28 anos e muita lenha para queimar", brinca Mineirinho, que teve antes do título como melhor colocação na elite o quinto lugar obtido nas temporadas de 2009, 2011 e 2012. 

ANJO DA GUARDA – Este ano, antes do início da temporada, Mineirinho sofreu um duro golpe: em janeiro, o amigo e também surfista profissional Ricardinho dos Santos foi assassinado por um policial na Guarda do Embaúba, litoral catarinense.

Os dois eram muito próximos, e desde então Mineirinho dedica suas vitórias ao amigo. No Havaí, ele se lembrou de Ricardinho em todas as etapas. "Ele é meu anjo da guarda. Aquela onda que me salvou no final da bateria da segunda fase foi ele que me mandou lá do céu, tenho certeza disso", afirmou o novo campeão do mundo, que passou a ser treinado por Leandro Dora, o Grilo, ex-técnico de Ricardinho.

Gabriel Medina fecha temporada de 2015 com a conquista da Tríplice Coroa Havaiana

Campeão mundial em 2014, Gabriel Medina não conseguiu o bicampeonato neste ano por causa do seu péssimo início de temporada. O brasileiro só se recuperou a partir da sexta etapa, em J-Bay, na África do Sul, e foi o surfista que mais pontos conquistou na segunda metade do circuito. Nas últimas seis etapas, ele avançou pelo menos às quartas de final em todas.

A boa campanha de recuperação não foi suficiente para lhe dar o título, mas ele fechou o ano com a conquista da Tríplice Coroa Havaiana, dada ao surfista que consegue a maior pontuação na soma das três principais etapas disputadas no Havaí no final do ano: Haleiwa, Sunset Beach e o Pipe Masters. “Estou amarradão por levar a Tríplice Coroa”, disse Medina.

Até esta quinta-feira, somente três nações do surfe haviam conquistado a Tríplice Coroa Havaiana, uma das maiores honrarias da modalidade: Havaí (que compete separadamente dos Estados Unidos), Austrália e Estados Unidos. Medina quebrou a escrita após superar o australiano Mick Fanning na semifinal do Pipe Masters.

Alguns nomes consagrados da modalidade já venceram a Tríplice Coroa como Kelly Slater, Derek Ho, Gary Elkerton, Sunny Garcia, Andy Irons e Joel Parkinson, entre outros. No ano passado, Medina disputou apenas o Pipe Masters, abrindo mão das duas primeiras etapas. Desta vez, ele resolveu competir nos três eventos.

VIRADA – Nesta quinta-feira, Medina garantiu a Tríplice Coroa Havaiana com uma virada surpreendente sobre Fanning na semifinal. Nos minutos finais da bateria, ele deu um aéreo que chamou atenção do público e dos juízes.

Fundamental para a conquista do título mundial em 2014, esse tipo de manobra foi pouco utilizado este ano por Medina. “Ano passado eu estava bem cauteloso, ia nas ondas certas, fazia as manobras certas e comecei a partir para os aéreos quando senti que não estava com pressão, que é o jeito que gosto de surfar. Foi naturalmente, não foi uma tática que usei. Na onda, se sentisse que era o momento, dava o aéreo”.

Outro fator apontado por Medina como importante para a sua recuperação no campeonato foi o início do namoro com Tayná Hanada. A partir da etapa de J-Bay, a garota passou a acompanhá-lo nas viagens e, coincidentemente, os resultados começaram a aparecer.

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