Cerimônia de abertura da Paralímpiada retrata cenas do Rio

FOTO: TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL

O norte-americano Aaron Wheelz "voa" no Maracanã e levanta público na cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016

Mesmo já antecipado pela imprensa, o início da cerimônia da abertura eletrizou o público no estádio do Maracanã, com a manobra de alta velocidade do cadeirante Aaron Wheelz.

Aaron desceu com uma cadeira de rodas uma megarrampa no meio da arquibancada do estádio e caiu sobre uma superfície inflável após uma pirueta por dentro do círculo que simbolizava o zero na contagem regressiva. Uma queima de fogos acompanhou o número.

O número foi feito logo depois da chegada do presidente do Comitê Paralímpico Internacional, sir Philip Craven, que surgiu no meio do público e depois foi para a tribuna de autoridades, onde se sentou ao lado do presidente Michel Temer. Minutos antes do início da cerimônia, parte do público gritou "Fora Temer" no estádio e também foram ouvidas vaias.

Também antes da cerimônia começar, o encontro dos mascotes olímpico e paralímpico, Vinicius e Tom, chamou a atenção do público. Tom dançava vários ritmos com a apresentadora Fernanda Lima e o escritor Marcelo Rubens Paiva. Quando foi a vez da Bossa Nova, tocou Garota de Ipanema, Vinicius entrou desfilando com um vestido brilhante, em uma referência à participação da modelo Gisele Bündchen na abertura da olimpíada. A top model encarnou a icônica homenageada por Tom Jobim e recebeu elogios.  

Samba e praia
Uma roda de samba com os sambistas Monarco, Hamilton de Holanda, Maria Rita, Diogo Nogueira, Xande de Pilares, Pastoras da Portela, Pedrinho e Pretinho da Serrinha embalou o público enquanto projeções abordavam a roda, invenção humana que, além de sua importância como marco científico, se tornou um suporte vital para a acessibilidade.

As projeções no chão transformaram o chão do Maracanã em uma grande piscina atravessada pelo nadador Daniel Dias, também projetado em vídeo. Após cruzar o palco, a piscina se transformou em uma praia, com direito a elementos típicos do Rio de Janeiro, como o aplauso ao pôr do sol, os vendedores de mate e biscoitos de polvilho e uma multidão de bailarinos que interpretaram banhistas e surfistas.

O número foi seguido pela chegada da bandeira do Brasil, que foi hasteada por bombeiros salva-vidas do 3º Grupamento Marítimo. O Hino Nacional foi executado no piano pelo maestro João Carlos Martins, que chegou a abandonar a carreira por problemas físicos que atrofiaram suas mãos, mas retornou aclamado aos palcos.

Logo depois, teve início a entrada das delegações, em que uma obra do artista plástico e diretor-criativo da cerimônia, Vik Muniz, montou um quebra-cabeças com peças trazidas pelas delegações.


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Atleta cadeirante desce megarrampa e levanta público no Maracanã

Os Jogos Paralímpicos mostram que não há limites no corpo humano que impeçam grandes feitos e foi isso que a Rio 2016 comprovou, já na cerimônia de abertura do evento. O norte-americano Aaron Wheelz, cadeirante, desceu uma megarrampa erguida no Maracanã, passou por dentro dentro de um círculo de fogos de artifício e deu início à solenidade, levando o público à loucura, no Estádio do Maracanã.

Wheelz [o nome é uma brincadeira com a palavra inglesa “rodas”] nasceu com espinha bífida, uma malformação congênita. O sonho dele é desenhar o modelo de cadeira de rodas “mais radical de todos os tempos”. Como ele mesmo diz, “se tem rodas, como não ser divertido?”. Ele é o único cadeirante a descer em megarrampas no mundo.

A rampa foi aprovada pelo skatista brasileiro Bob Burnquist. Ele testou e validou a estrutura. Quando Aaron despontou no alto da rampa, o público o aplaudiu muito e esperou o momento. O estouro dos fogos à passagem do cadeirante foi a senha para o público no Maracanã explodir em delírio, em uma festa de luz e som.

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