Brasil ganha mais um título mundial no surfe, com Lucas Silveira

Fotos: Reprodução

"Estou tremendo, foram duas longas semanas aqui, muita espera e, finalmente, as ondas estavam ótimas ontem e hoje”, afirmou Lucas Silveira. Otítulo dele é o sétimo do Brasil em 17 edições do Mundial Júnior

O Brazilian Storm, como essa geração de surfistas brasileiros vem sendo chamada, obteve mais uma conquista. Ontem, 13, Lucas Silveira, de 19 anos, se sagrou campeão mundial júnior ao vencer o Mundial da categoria, em Ericeira, Portugal. No feminino, a vitória ficou com a australiana Isabella Nichols.

"Estou tremendo, foram duas longas semanas aqui, muita espera e, finalmente, as ondas estavam ótimas ontem e hoje. A final foi bem lenta, comecei e terminei bem. Eu tive um evento louco aqui, minha bateria mais fraca foi com uma nota 15 e alguma coisa. É incrível", afirmou o brasileiro, que repetiu os títulos de outros conterrâneos, como Gabriel Medina e Adriano de Souza.

No ano retrasado, o carioca radicado em Santa Catarina foi eleito o estreante do ano na Tríplice Coroa Havaiana, por seu desempenho nas ondas de Haleiwa e Sunset Beach. Na disputa em Portugal, ele mostrou um surfe consistente, tirou a única nota 10 de todo o campeonato, sua somatória mais baixa foi 15,53 e fez bonito na decisão contra Timothee Bisso, de Guadalupe.

Na final, ele ganhou de Bisso por 16,17 a 11,74, sem dar chances para o rival. "Estou um pouco desapontado pois sei que podia ir melhor na decisão. As ondas estava muito difíceis, e sei que ficar em segundo lugar no Mundial Júnior é um ótimo resultado. Acho que ganhei respeito dos meus adversários", comentou Bisso.

No dia 29, Lucas completará 20 anos. Como prêmio, ele garantiu o convite para as principais etapas do QS, a segunda divisão do surfe, em toda a temporada. Bisso e os outros dois semifinalistas (Soli Bailey, da Austrália, e Leonardo Fioravanti da Itália) também receberão os convites. "Estou muito feliz pelo título e agora é comemorar", disse Silveira.

O título dele é o sétimo do Brasil em 17 edições do Mundial Júnior. Já foram campeões Pedro Henrique (2000), Adriano de Souza (2003), Pablo Paulino (2004 e 2007), Caio Ibelli (2011) e Gabriel Medina (2013). O bom momento do surfe no País deve trazer ainda mais conquistas para os próximos anos.


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Lucas Silveira é mais um brasileiro que se espelha nos grandes nomes do surfe para chegar longe na modalidade. Ontem, 14, ele se sagrou campeão mundial júnior, título que já foi conquistado por Gabriel Medina e Adriano de Souza, o Mineirinho, só para se ter uma ideia, e agora quer dar passos mais largos para chegar na elite. O carioca, que treina em Florianópolis, mostra que o Brasil está em alta em cima da prancha.

O atleta é treinado por Leandro Dora, o Grilo, técnico de Mineirinho, e vai poder disputar as principais etapas do WQS, a segunda divisão do surfe, a fim de conquistar os pontos para chegar no WCT, onde estão os atletas de elite, no próximo ano. Nesta entrevista exclusiva à reportagem de O Estado de S. Paulo, o surfista de 19 anos fala sobre o título em Ericeira (Portugal) comenta os planos de carreira e conta um pouco da sua trajetória no surfe.

Qual a sensação de ter conquistado o Mundial Júnior, um título que surfistas como Gabriel Medina e Adriano de Souza também ganharam?
Lucas Silveira –
A sensação de conquistar esse título, que tantos nomes como Gabriel, Adriano, Andy Irons e Joel Parkinson já ganharam, é incrível. Foi o primeiro passo deles, começaram assim, e faz eu acreditar que estou no caminho certo e me dá muita confiança para ir com tudo no WQS e me encontrar com eles na elite no futuro. Estou me sentindo muito bem.

Você tem treinado com o técnico do Mineirinho. Como tem sido isso?
Lucas Silveira –
Eu treino com o Grilo, que é o técnico do Mineirinho, há muito tempo, acho que fui o primeiro surfista que ele treinou. Ele virou treinador comigo, aí depois começou a treinar o Ricardinho dos Santos, o Yago Dora, que é o filho dele. Ele é nosso mestre, foi essencial no título do Mineiro e essencial no meu título também. Ele tem muita espiritualidade, sabe o que falar nas horas certas, gosto muito do trabalho dele, a gente se dá muito bem e sempre viajamos juntos. Essa relação foi essencial.

Você viu de perto o título do Mineirinho no final do ano. Isso te inspirou?
Lucas Silveira –
A gente estava no Havaí com o Mineirinho quando ele foi campeão mundial, e isso inspirou muito a gente. Vi que é possível conquistar o mundo, o Mineirinho mostrou isso, e com certeza isso me deixou com muita vontade de ganhar aqui em Portugal também.

Quais são as suas expectativas para a temporada?
Lucas Silveira –
Daqui de Portugal vou direto para o Havaí. O objetivo nessa temporada é ir com tudo no WQS para conseguir chegar à primeira divisão. O ano começou muito bem para mim, mas tem muita coisa pela frente. Quero me classificar para o WCT, sei que não é fácil, tem muitos surfistas bons na disputa, mas tenho de acreditar e confiar em mim mesmo. Sei que não é impossível, só preciso manter o foco o ano todo.

Em linhas gerais, como você começou no surfe?
Lucas Silveira –
Eu comecei no surfe por causa dos meus irmãos mais velhos, o José e o Alex, que já surfavam. Meu pai sempre apoiou, apesar de não surfar. Ele era atleta de voo livre, então sabe como é competir, viajar e ficar longe de casa, pois fez muito isso na vida. A família sempre deu muito apoio, comecei a evoluir, participei de campeonatos amadores, fui campeão carioca, brasileiro, peguei patrocínio e agora estou aqui.

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