Baixa adesão de chefes de Estado preocupa organização da Olimpíada

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Diante de difíceis logísticas relacionadas com protocolo e segurança para a Olimpíada, a esperança era de que, faltando apenas um mês, o número fosse mais elevado

Faltando um mês para a abertura da Olimpíada, o esforço do Brasil por atrair ao Rio líderes mundiais sofre forte resistência. Por enquanto, o Itamaraty indica que entre 50 e 60 chefes de Estado e de governo confirmaram suas participações. O número é quase a metade do que se viu em Londres e inferior a Pequim em 2008.

Os organizadores ainda esperam que o número suba, mas abandonaram uma previsão. Diante de difíceis logísticas relacionadas com protocolo e segurança, a esperança era de que, faltando apenas um mês, o número fosse mais elevado.

Diplomatas estrangeiros indicaram que a falta de uma definição sobre o impeachment foi algo que criou certa hesitação entre alguns líderes. A votação no Senado ficou adiada para depois dos Jogos, evitando manifestações sociais ou algum tipo de boicote. Mas, segundo chancelarias estrangeiras, o cenário também cria saia-justa para quem for ao Rio.

Dirigentes políticos estariam hesitantes em visitar a cidade e eventualmente serem usados por um lado ou outro do debate político nacional. Mesmo no caso europeu, onde o questionamento a Michel Temer não tem a mesma força que em outras regiões, governos ainda avaliam a possibilidade de apenas enviar uma delegação com nível ministerial. 

MOTIVOS – No Itamaraty, há outra explicação para a baixa confirmação: a distância. Fazer um trajeto até o Brasil significa, para muitos líderes, abrir mão de pelo menos três dias de seu calendário apertado. Em 2008, Pequim não teve esse problema e registrou uma romaria de líderes. 

O Itamaraty também espera que haja uma maior confirmação de líderes da região sul-americana. Quando o Rio de Janeiro foi escolhido para ser sede dos Jogos, uma das cartas usadas pelos brasileiros era de que o evento seria não apenas da cidade carioca ou do país, mas de toda uma região, já que é a primeira Olimpíada a ser disputada na América do Sul.

Com o processo de impeachment de Dilma, porém, governos como o da Venezuela, Equador e Bolívia não hesitaram em fazer uma campanha internacional contra o que chamam de “golpe” no Brasil. Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores do Equador confirmou ao Estado que nem sequer mantém um embaixador em Brasília como forma de protesto.


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Ministro do Esporte minimiza críticas de Paes: 'Segurança não será problema'

Um dia depois das reiteradas críticas do prefeito Eduardo Paes à segurança do Rio de Janeiro, o ministro do Esporte, Eduardo Picciani, minimizou na terça-feira, 5, as declarações de Paes e afirmou ter "convicção" de que a "segurança não será um problema" ao longo dos Jogos Olímpicos, que terão início daqui a exatamente um mês. 

"O governo federal tem plena confiança no Estado e nas autoridades do Rio de Janeiro", declarou o ministro, em entrevista à Rádio Estadão. "O governo federal liberou nos últimos dias R$ 2,9 bilhões para segurança porque o Estado passa por momento econômico difícil. Além do mais, há uma grande operação de segurança para os Jogos Olímpicos, que começa hoje [nesta terça], com participação da Força Nacional, das Forças Armadas e da Polícia Federal." 

As declarações de Picciani são uma resposta às críticas de Paes à segurança no Rio às vésperas da Olimpíada. No domingo e na segunda-feira, o prefeito atacou a gestão estadual, responsável pela segurança, alegando que governo estadual deve "tomar vergonha na cara" e "arregaçar as mangas" para garantir segurança no Rio-2016. "Esse é o assunto mais sério do Rio, e o Estado está fazendo um trabalho terrível, horrível."

Questionado sobre as declarações, Picciani destacou as ações federais para assegurar o clima tranquilo na Olimpíada. "Eu tenho a convicção de que a segurança não será um problema porque todas as providências foram tomadas pelos ministério da Justiça e da Defesa, que são os responsáveis pela operação de segurança. Eles cumpriram todos os protocolos, estão disponibilizando todos os efetivos. E têm a colaboração de mais de 100 países que destacaram policiais para acompanhar os Jogos Olímpicos."

O ministro do Esporte também minimizou o protesto realizado por policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários no Aeroporto Tom Jobim, na segunda-feira. Alguns seguravam cartaz que dizia, em inglês, "Welcome to Hell" (Bem-vindos ao Inferno). 

"Foi uma manifestação que me parece ter cunho político. Num País como o nosso, com liberdade de expressão, se está sujeito a acontecer este tipo de coisa. Mas não me parece que seja um movimento de toda polícia, apenas de um setor, o que não prejudica a segurança", disse Picciani.

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