‘Vou encarar a Olimpíada como se fosse uma Copa Davis’

Fotos: Reprodução

Marcelo Melo: "A Olimpíada uma competição especial para qualquer atleta, de qualquer modalidade. Para o tênis não é diferente. Ganhar uma medalha olímpica é uma oportunidade a cada quatro anos"

O duplista Marcelo Melo é o primeiro brasileiro desde Gustavo Kuerten a assumir o posto de tenista número 1 do mundo. Em entrevista ao Estadão Conteudo, ele diz que a parceria com Bruno Soares na Olimpíada do Rio é"premiada" por disputar os Jogos em casa, mas vê os irmãos americanos Bob e Mike Bryan – ouro em Londres/2012 e bronze em Pequim/2008 – como favoritos.

A Olimpíada possui a mesma importância que um título de Grand Slam?
Marcelo Melo –Os jogadores estão muito motivados a ir ao Brasil. É uma competição especial para qualquer atleta, de qualquer modalidade. Para o tênis não é diferente. Ganhar uma medalha olímpica é uma oportunidade a cada quatro anos. No nosso caso, ganhar no Brasil é um sonho ainda maior. 

Para você, a pressão de jogar em casa é motivadora ou opressora?
Marcelo Melo –Muito mais motivadora. Eu vou tentar encarar como se fosse uma Copa Davis. A gente está acostumado a jogar em casa, com a torcida presente. Se a gente conseguir pensar assim, vai ajudar muito. 

Você vê a sua dupla com o Bruno Soares como favorita por jogar em casa?
Marcelo Melo –Não, eu não considero. Os irmãos Bryan são a melhor dupla da história e, mesmo jogando no Brasil, ainda vejo eles como favoritos. 

Com os seus últimos resultados, o ouro fica mais próximo?
Marcelo Melo –Eu e o Bruno acreditamos que a gente possa ir muito bem. Temos bons resultados jogando juntos na Davis. Na Olimpíada de Londres, fomos às quartas de final. Mas a gente sabe que é muito duro. São outras duplas difíceis. Federer vai jogar com Wawrinka, Berdych e Stepanek provavelmente vão jogar juntos.

Como é disputar uma Olimpíada ao lado do Bruno, seu ex-parceiro?
Marcelo Melo –A gente se conhece há muito tempo, tivemos bons resultados. Ganhamos de várias duplas difíceis e sabemos que é um momento especial para ambos. Jogar a Olimpíada no próprio País é uma oportunidade para poucos, fomos teoricamente premiados. 

A amizade de vocês ajuda?
Marcelo Melo –Com certeza. A gente pode conversar de qualquer assunto que esteja acontecendo durante o jogo ou mesmo fora, para diminuir o nervosismo e a ansiedade. É importante ter essa abertura de poder falar o que pensa e saber que aquilo é em prol da dupla.

Quando a Olimpíada vai entrar de vez no seu planejamento?
Marcelo Melo –A Olimpíada faz parte do nosso planejamento há algum tempo, com apoio do COB e da Confederação (Brasileira de Tênis). Viajamos algumas vezes com fisioterapeuta, estamos sempre com o treinador e o preparador físico. Estamos visando à Olimpíada, mas bons frutos já estão rendendo no caminho.

Você tem feito uso de tecnologia?
Marcelo Melo –A gente tem um pessoal que faz análise de vídeo dos adversários para ver estatísticas. O banco de dados vem crescendo. Quando a Olimpíada chegar, estaremos bem munidos de informação. 

A Olimpíada é em agosto. É uma época boa para o aspecto físico?
Marcelo Melo –Acredito que sim. Agora está muito cedo para programar uma parte física para daqui oito meses. Mas, como é a Olimpíada, a gente vai fazer uma preparação especial.

Como tem sido essa preparação? 
Marcelo Melo –Vamos tentar economizar o máximo de energia porque estamos em final de temporada, otimizar os treinos para aproveitar essa boa fase. A gente está jogando melhor do que no ano passado, mas são os detalhes que decidem no tênis. 

Como é terminar o ano na liderança do ranking individual de duplas?
Marcelo Melo –É muito especial. Esse ano realmente foi um ano incrível. Ganhar um Grand Slam, virar número 1 e poder terminar o ano número 1. Foi um combo de várias coisas realizadas em um período curto.

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