Viga, construindo e edificando sonhos

Foto: Danillo Wanderson

Responsável por grandes projetos na área de engenharia e arquitetura, a Viga chega aos 25 anos acumulando em sua história a luta e o empreendedorismo de um dos seus fundadores, o engenheiro Geovane Luciano Lima. Pai de família, empresário e um dos pioneiros da construção civil em Mineiros, Geovane revela detalhes de sua vida pessoal, sua atuação profissional e sobre o sucesso de sua empresa.
 
Aos 51 anos de idade, Geovane Luciano Lima tem muita história para contar. Com estilo único, irreverente, o empresário consegue cativar amigos, clientes e funcionários.
 
Um homem que pode ser comparado a uma caixinha de surpresas. Sua voz que intimida mostra, numa brincadeira e outra, que mais do que estilo, ele tem personalidade e visão empresarial aguçada.
 
Vamos conhecer um pouco mais da história desse homem que vem deixando a sua marca na construção civil e realizando sonhos de muitas pessoas.
 
Inicialmente gostaria que falasse um pouco da sua família que, como você mesmo diz, é a base da sua vida e do seu sucesso…
Geovane – Sou casado há 30 anos com a Celeste e dessa relação nasceram minha filha Juliana, que é formada em Arquitetura, e Alexandre, que hoje cursa Engenharia de Controle e Automação. Apesar de by CrossBrowser-1.2″> investir boa parte do meu tempo no trabalho, a minha família é a base de tudo em minha vida. Sem eles não teria nada e por eles tenho conquistado muita coisa.
 
Como começou a história da Viga?
Geovane – Retornei a cidade de Mineiros em 1990, vindo do Pará, com pouco recurso financeiro e mais com a cara e a coragem. Tinha zero de experiência em comércio, mas mesmo assim imaginei montar uma loja de materiais para construção e ao mesmo tempo trabalhar como engenheiro civil.
 
Com o dinheiro que tinha só deu mesmo para montar a loja. Nem dinheiro para o estoque eu tinha. Para completar a renda comecei a dar aulas no ENA – Educandário Nascentes do Araguaia – de física, matemática e aula de geometria analítica na Unifimes. Isso foi muito importante porque criei muitos relacionamentos e conheci muitas pessoas, que me deixam com muitas saudades.
 
Nesse mesmo período, enquanto administrava a loja, começaram a aparecer alguns projetos de engenharia que me fizeram conhecido no mercado. Foi um processo que evoluiu bem devagar. Tive sócios importantes, reestruturei minha equipe de trabalho e estamos aqui há 25 anos.
 
Como foi o seu início na área da construção civil e quais foram os desafios daquela época?
Geovane – Já no ensino fundamental eu decidi que seria engenheiro. Entrei na Universidade Federal do Pará em 1982, passei em terceiro lugar no vestibular, me formei em 1986 e tenho diploma de primeiro lugar da turma. Fiz dois estágios durante o período de faculdade. O primeiro foi numa empresa pequena. O meu segundo estágio, o qual eu considero como a minha maior escola de engenharia, foi numa empresa chamada Emarc, que por coincidência um dos donos é de Jataí. Aceitei estagiar lá, mesmo sendo um estágio sem remuneração, porque vi um grande potencial. E, logo após a minha formatura, fui contratado por esta empresa e trabalhei aí por quase cinco anos. Durante esse período trabalhei numa grande obra em São Luiz do Maranhão. Nesse tempo passamos por uma crise no setor, um dos sócios morreu num acidente aéreo e a empresa já não tinha espaço para mais engenheiros. Quando eu comecei a obra no Maranhão, a empresa tinha 18 engenheiros; quando voltei para a sede da empresa no Pará tinha apenas seis. Meu chefe, na época, me chamou e logo imaginei minha demissão, mas ele me fez uma proposta que, a única forma que tinha para permanecer na empresa era trabalhar no departamento de by CrossBrowser-1.2″> compras, totalmente fora da minha área técnica. Apesar de ter ficado muito triste por achar que naquele momento a minha carreira estava sofrendo uma grande baixa, eu mal sabia que aquela oportunidade foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Eu aprendi muito sobre materiais, negociações e realmente eu evoluí muito. Passado um ano, eu alcancei o cargo de gerente de incorporação da empresa.
 
Como surgiu o nome Viga?
Geovane – Eu e a minha esposa, Celeste, durante um voo, me falou que tinha acabado de encontrar um nome para a futura loja que montaríamos em Mineiros. Ela então me disse: Vivaldo (nome do meu pai), Ivan (nome do meu irmão) e Geovane Associados. Imediatamente eu disse que era muito comprido, mas ela falou: Viga.
 
Nós três (pai e irmão) começamos como sócios, depois que meu pai veio a falecer, minha mãe assumiu a sua participação na sociedade, e logo depois achou melhor se desfazer da mesma. Um tempo depois comprei a parte do meu irmão.
 
O que determinou, pontualmente, o sucesso da sua empresa?
Geovane – Acredito que tem muito a ver com a experiência que tive no Pará. Diferente de outra empresa do ramo daquela época, a Emarc procurou um nicho de mercado diferente, buscando sempre a qualidade da sua obra, dos acabamentos e eu absorvi essa filosofia. Então, posso dizer que o sucesso da minha empresa é com base em renovação, foco na qualidade sempre. Mesmo na parte de projetos, construções, sempre busco o máximo de qualidade e essa é a maior característica da Viga.
 
Em pesquisas realizadas nos empreendimentos entregues e também nas construções residenciais, a credibilidade na Viga foi um ponto forte muito citado durante o pós-venda. Qual fator é determinante para que essa imagem seja construída?
Geovane – A minha família toda é de Mineiros, tradicional, muito conhecida; e quem é da cidade valoriza muito e nos prestigia. Meu irmão Ivan, que era médico, era muito conhecido na cidade, por ser uma pessoa muito séria, respeitada, e eu sempre me espelhei nesses exemplos. Eu tenho um perfil diferente, mas sempre me pautei na seriedade nos negócios para cumpri-los sempre no prazo. E temos essa seriedade desde o momento em que assumimos uma obra, no pagamento em dia do salário dos funcionários e honrando todos os compromissos assumidos com os fornecedores. A Viga respeita muito a sua mão de obra. Errar, a gente erra, mas eu tenho por padrão assumir o erro, assumo o problema e não tenho receio em refazer ou consertar alguma coisa. Isso traduz a credibilidade e temos visto isto em várias situações.
 
Quais as suas previsões para a economia em Mineiros e região em 2015? Como os empresários devem se preparar para as incertezas da economia?
Geovane – Eu vejo que as cidades de Mineiros, Jataí e Rio Verde estão blindadas contra a crise econômica, porque esta região é essencialmente produtora e nós temos soja com bom preço, cana tem melhorado; pecuária com preço excelente, o leite nem tanto, mas está dentro da normalidade. A safrinha, com a chuva dos últimos meses, vai dar boa produção. Então, eu não percebo nenhuma crise na região.
 
No meu ponto de vista, a crise é mais concentrada nos grandes centros e estou bem otimista, tanto é que lançaremos três empreendimentos ao longo do ano e não tenho preocupação com o mercado imobiliário. O mercado tem recebido muito bem nossos produtos e não paramos nenhuma ideia de by CrossBrowser-1.2″> investimento, aliás, estamos aumentando neste ano.
 
Hoje muito se tem falado sobre bolha imobiliária. Há realmente uma bolha? Como se encontra atualmente o mercado imobiliário, levando em consideração que a Viga Engenharia e Arquitetura vai lançar alguns empreendimentos ainda neste ano?
Geovane – Isso acontece geralmente nos grandes centros. O preço dos imóveis daqui é bem abaixo do que em Goiânia, por exemplo, ou nas regiões mais centrais. Não vejo que os imóveis estão sendo financiados acima do valor que eles valem. A gente não visualiza que os imóveis daqui a um ano ficarão também abaixo do que foi pago por eles. Não estamos tendo nenhuma supervalorização dos imóveis por causa de uma possível explosão de mercado. São Paulo e Brasília estão sofrendo com essas retrações, mas para nossa região não visualizo nenhum problema relacionado a tão falada bolha imobiliária.
 
A Viga também está passando por reestruturação. O que está previsto para a loja que tem artigos de 1ª linha no que se refere a acabamentos, tubulações, iluminação entre outros artigos para construção?
Geovane – Ela foi a primeira empresa do Grupo e, agora, estamos investindo e ampliando o espaço físico. Hoje contamos com uma arquiteta que está trabalhando direto com os nossos clientes e o objetivo é ampliar a loja. Queremos firmar como uma loja que vende material de acabamento de primeira linha, com sofisticação e se possível com exclusividade, com tendências e inclusive colocar um segundo segmento dentro da loja que seria para ferramentas e equipamentos. Vamos melhorar nosso espaço para atender, da melhor forma possível nossos clientes, e vamos expandir além das fronteiras de Mineiros. A gente sabe que existem cidades que tem carência nesse tipo de material e, dessa forma, evitamos que estes futuros clientes busquem nos grandes centros linhas que temos aqui com facilidade e preço competitivo.
 
A Viga também é conhecida por ter iniciado obras residenciais de grande porte. Fale mais sobre isso…
Geovane – Se for fazer uma análise da empresa, nós começamos a nossa história construindo residências, aliás, grandes obras residenciais em Mineiros passaram por nós numa parceria muito grande com Arquitetura e Cor, das arquitetas Renata e Rosimeire e, naquela época, quebramos aquela cultura de que para grandes obras residenciais em Mineiros era preciso trazer mão de obra de fora. Se eu não me engano, a primeira casa que nós construímos foi a do Sr. Vanir Potrich, que é uma residência de altissímo padrão. A partir daí o mercado abriu as portas para a Viga. Hoje temos grandes obras dentro do Portal do Cerrado e são obras que dão muito orgulho quando as olhamos depois de prontas. A satisfação do cliente tem um caráter mais pessoal, por isso é mais gostosa de ser feita. Temos uma equipe muito boa, com pedreiros especializados em acabamento de primeira linha.
 
Nos últimos anos entramos também no mercado dos grandes empreendimentos habitacionais. Até o momento já concluímos os residenciais Lobo Guará, Arara Azul, Veredas e Mirante do Cerrado.
 
Temos também o residencial Parque do Cerrado, sendo concluído esse ano, o Jequitibá Residence, que teve suas obras iniciadas, bem como o residencial Ipês. Estamos prestes a lançar também um empreendimento residencial e um grande empreendimento voltado para a área comercial.
 
Você é considerado um “chefe” diferenciado por valorizar sua equipe e sempre tê-la por perto, mesmo fora do ambiente de trabalho. Além da
amizade que se conquista quais benefícios essa relação traz para todos os indivíduos inseridos na empresa?
Geovane – É bem interessante isso. Eu sempre fui o chefe difícil, explodia com facilidade, fiz coisas que hoje fico envergonhado em lembrar, mas algumas coisas da vida são ruins outras são boas. A idade, por exemplo, tem seus malefícios, mas também nos dá o benefício da sabedoria e ela só vem dessa forma. Hoje, posso dizer que sou uma pessoa bem diferente. Eu procuro ter mais calma com meu cliente interno, que é meu funcionário, e sou muito sincero no que falo: os meus amigos estão dentro da empresa, quero pescar juntos com eles, enfim, tento ser o chefe-amigo, gosto de ter envolvimento pessoal. Eu quero saber se um funcionário teve um filho, eu quero participar da vida dele. Na verdade, somos uma família e eu quero que eles tenham orgulho de fazer parte da Viga. Gosto das nossas reuniões de confraternização e acho interessante esse tipo de interação. Vejo que a Viga, sem a equipe que ela conseguiu formar, não seria nada. Hoje, se conseguimos trabalhar com qualidade é porque a nossa equipe absorveu a minha filosofia e a gente tem procurado melhorar essa relação promovendo ações e aumentando benefícios que melhorem a qualidade de vida tanto dos funcionários quanto da sua família.
 
Um fato marcante em sua carreira…
Geovane – Foi a decisão de abrir a Viga e vislumbrar o sonho de edificar grandes obras residenciais em Mineiros, que normalmente eram construídas por empresas de fora. O fato marcante que me fez acreditar que teria êxito na decisão tomada, foi quando fizemos a primeira grande casa residencial, em parceria com a Arquitetura e Cor, que é a casa do senhor Vanir Potrich. A partir daí, a população percebeu que existia na cidade uma empresa com capacidade para executar grandes obras.
 
Uma coisa que deveria ser feita em Mineiros em sua área de atuação?
Geovane – Mineiros carece, já um bom tempo, de um Código de Obras bem definido, visando balizar e organizar a construção de obras na cidade. Temos o Código de Posturas, mas ele não atende todas as necessidades. Então é necessário e urgente que tenhamos um Código de Obras moderno e definido, para que possamos fazer as coisas de forma coerente.
 
E uma coisa que não deveria ser feita?
Geovane – Um dos grandes problemas que temos hoje em nossa cidade são as soluções de águas pluviais. Qualquer loteamento ou área aberta, que não tenha um planejamento bem feito para as águas pluviais, só vai aumentar o problema das enchentes que a cidade enfrenta, quando as grandes chuvas acontecem. Então, entendo, que nenhum loteamento deveria ser liberado para venda, sem que houvesse uma infraestrutura completa, incluindo galerias de esgoto e água pluvial.
 
Recentemente você enfrentou e venceu um grave problema de saúde, um câncer no intestino. Como superou este desafio? Isso promoveu mudanças na sua vida pessoal e profissional?
Geovane – Eu digo que minha esposa Celeste me salvou. Quando comecei a sentir fortes cólicas e ainda relutava para ir ao médico, foi ela que me influenciou e tomou as devidas providências. A partir daí iniciei uma bateria de exames até chegar a um diagnóstico.
 
Esta doença, que eu enfrentei no ano passado, acabou se tornando uma piada dentro da minha cabeça porque eu não sinto que tive câncer, eu não me lembro de nenhum sofrimento, não tive nenhum momento de depressão. Talvez, na véspera da cirurgia, eu tive aquele momento de olhar para o céu e ter alguma dúvida. Ainda tenho que mudar alguns hábitos antigos, mas eu me sinto muito mais fortalecido. Realmente, foi um momento de aproximação familiar já que eu me dedico muito ao trabalho, o que me condicionava a deixar a família sempre em segundo plano. Tenho tentado corrigir isso, acho que é possível fazer esse trabalho de conciliação, mas a doença realmente só me fez crescer e ter mais força de vontade para continuar com novos projetos profissionais. Eu já falei muitas vezes para a minha esposa, Celeste, que eu sinto um orgulho muito grande quando eu vejo as nossas realizações. Pra mim, o mais importante é ter saúde, ver a minha família bem, ter meus amigos por perto e compartilhar as conquistas com todos.
 
Voltando a falar dos funcionários, estou programando uma viagem com a minha equipe e suas famílias para uma praia porque, veja só, eu tenho gente trabalhando comigo há 20 anos, desde quando eles eram moleques. Daqui há um tempo quero que estejam com 40 anos trabalhando comigo. Hoje posso dizer que sou um homem mais feliz. Eu sinto que vou conquistar muitas outras coisas ainda.

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