PREFEITO MOSTRA O ROMBO. “DESAFIO ESTÁ SENDO SUPERADO”

“O que faria um motorista eleito pelo povo, cheio de boas intenções e projetos, ao se deparar com um carro naquela situação? Foi esta a pergunta que fiz a mim mesmo ao tomar pé do governo que recebi e aceitar ser o motorista de um carro que não tinha como andar”. A afirmação foi feita pelo prefeito Manoel Rodrigues de Resende ao comparar a Prefeitura que recebeu de seu antecessor.

Enfrentando dívidas e desafios de toda ordem, o prefeito mantém sua esperança em dias melhores e já faz projetos para o futuro.
Ao adentrar seu gabinete para esta entrevista, encontramos um prefeito otimista e determinado, mesmo consciente dos desafios que ainda tem pela frente.
Nesta entrevista, o prefeito Manoel Rodrigues faz um diagnóstico preciso de como recebeu a Prefeitura, comenta o que está sendo feito para superar a crise e fala de projetos para o futuro.

Eis a entrevista…

Num primeiro momento o senhor optou por não falar sobre como recebeu a prefeitura de Portelândia, ressaltando que queria ‘tomar pé da situação’. E hoje, já se tem um diagnóstico preciso?
Manoel Rodrigues – Na verdade, não foi porque não queria falar. Fiquei no aguardo de que o ex-prefeito viesse entregar o patrimônio público, me entregar a Prefeitura Municipal. Mas isso não aconteceu. Hoje, passados nove meses, posso dizer que é possível sim fazer esse diagnóstico, apesar de que as vezes somos surpreendidos por algum cobrador, que tem conta a receber da Prefeitura.

Vou citar aqui um exemplo, para bom entendimento da população, de como recebemos a Prefeitura. Era como se fosse um carro velho, desmontado e só a carcaça. Imagine um carro sem motor, sem pneus, sem tanque, sem bancos, sem volante, com a lataria toda enferrujada e, óbvio, se não tinha tanque não tinha gasolina.

O que faria um motorista eleito pelo povo, cheio de boas intenções e projetos, ao se deparar com um carro naquela situação? Foi esta a pergunta que fiz a mim mesmo ao tomar pé do governo que recebi e aceitar ser o motorista de um carro que não tinha como andar.

Hoje vejo algumas pessoas, por falta de um esclarecimento mais amplo, questionar o novo prefeito, mas às vezes não sabem que o carro entregue a ele tem que ser reformado para andar, para não dizer reconstruído.

É verdade que ainda não conseguimos fazer muita coisa, mas hoje posso dizer que o carro já está andando, com dificuldade, mas está.

É por isso que decidi conceder essa entrevista. Peço a população que acredite no nosso propósito. Nós vamos superar os desafios, zelar da Prefeitura e, com certeza, entregar um carro novo, com o tanque cheio de gasolina, para o meu sucessor. Não vamos ‘jogar sujo’ com o povo, porque é ele que sofre o reflexo direto de um governo sem responsabilidade.
Nosso governo é movido pela esperança, fé e a verdade.

Hoje posso fazer o seguinte diagnóstico do caos administrativo que recebemos e, em seguida, mostrar fotos tiradas em 02, 03 e 04 de janeiro de 2017.

EDUCAÇÃO:
As Escolas Municipais estavam parecendo moradia abandonada, pois não receberam manutenção na estrutura física.
Vários empresários do transporte escolar sem receber nos últimos meses de 2016.

Verba federal do transporte escolar e da merenda escolar completamente cortadas por falta de prestação de contas dos anos de 2014, 2015 e 2016.

Verba estadual do transporte escolar, não cortada, mas com risco de corte por falta de prestação de contas desde 2010, sendo que o último ano que haviam prestado contas foi 2009.

Recurso federal do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola) cortado por falta de prestação de contas no ano de 2016.

FROTA MUNICIPAL:
O maquinário municipal estava completamente sucateado. O veículo de uso exclusivo do executivo, com as prestações do seguro em atraso e uma dívida de manutenção em uma concessionária na cidade de Mineiros.

Um trator do município deixado todo desmontado em uma oficina da cidade e a dívida da mão de obra do mecânico desta oficina.
Os veículos ainda em uso, muito danificados e a maioria com documentação irregular ou atrasada. Eram tantas sucatas, que recentemente fizemos um leilão para desocupar o espaço da garagem municipal.

SAÚDE:
O Hospital Municipal com seu centro cirúrgico interditado e muitas infiltrações na estrutura física. Vários equipamentos estragados e sem funcionamento.

Uma dívida de aproximadamente R$ 100 mil com fornecedores de medicamentos.

Uma dívida de mais ou menos R$ 160 mil com o Hospital São Lucas de Mineiros.

Falta de prestação de contas na aquisição de uma Ambulância e de uma Van para transporte de pacientes.

INFRAESTRUTURA:

A Pavimentação asfáltica, principalmente do centro da cidade, completamente deteriorada.

A Iluminação Pública um verdadeiro desleixo.

O Estádio Municipal num abandono total.

Uma dívida do município com a Celg de quase R$ 200 mil.

Construção inacabada de uma creche, paralisada desde 2012.

Construção inacabada de uma quadra de esportes coberta, paralisada desde 2012.

Conjunto Habitacional inacabado, paralisado desde 2012.

Construção inacabada de uma praça com academia ao ar livre, paralisada no ano de 2016.

Construção inacabada de uma praça no centro da cidade, paralisada no ano de 2016.

Construção inacabada de uma quadra poliesportiva na Escola Maternal Dona Levinda Maria de Resende, paralisada no ano de 2016.

Implantação de meios-fios paralisada e sem prestação de contas da parte concluída.

Implantação de asfalto paralisada e sem prestação de contas da parte concluída.

O senhor acha que faltou transparência da gestão passada na condução da prefeitura?
Manoel Rodrigues – Acho não, eu tenho certeza. Faltou e muito. Para se ter ideia do quanto faltou transparência na gestão passada, veja só, montaram um “Conselho Municipal de Assistência Social”, mas só no papel, pois na realidade, a Presidente nem sequer sabia que era presidente. Fizeram um projeto “de fachada”, colocando a área do lixão da cidade como se fosse uma área preservada, intacta, quando na realidade sabemos bem como ela é. E, ainda, receberam ICMS Ecológico referente a esse projeto como se fosse um Parque Ecológico. A relação de Patrimônio Público, deixada pela gestão passada, também é uma farsa, tem coisas que já nem existem há muito tempo. Então, isso aí são exemplos de falta de transparência sim. E para complementar a resposta, digo ainda mais, os vereadores pediam informações e a administração nem se importava de informar nada. Muitas dívidas, muitas coisas desorganizadas, muita bagunça que ficou.

Em que áreas estão concentradas as maiores dívidas e como o senhor está lidando com elas?
Manoel Rodrigues – Elas estão concentradas na Saúde, na Educação, no Transporte, no INSS e na Celg. A dificuldade maior é que os serviços básicos prestados à população não podem parar e eles tem custos, tem gastos. Então, recebi a Prefeitura com dívidas elevadas em algumas destas áreas e estou assumindo compromissos que não fiz. Quando preciso comprar alguma coisa, tenho que contar com compreensão dos fornecedores. Fica difícil pagar duas dívidas quando não está tendo dinheiro suficiente para pagar sequer uma. Com muita dificuldade estamos pagando e usando o parcelamento. Nisso os credores tem sido parceiros.

Além das dívidas, quais foram as outras dificuldades?
Manoel Rodrigues – As outras dificuldades, em sua maioria, são reflexos das dívidas. A falta de credibilidade da Prefeitura é uma das grandes dificuldades por nós enfrentada, tanto no comércio local, como na cidade de Mineiros, onde são feitas muitas compras para nosso município. Tivemos dificuldades até mesmo em Goiânia, onde estava sendo feito a compra de um produto para massa asfáltica e que seria utilizado nos serviços tapa-buracos. A empresa só vendia se fosse pago uma dívida que estava lá da gestão passada. Como pagar se o dinheiro que tínhamos estava destinado para a nova compra? Voltamos sem comprar.

Graças a Deus e ao bom relacionamento que o nosso Secretário do Transporte tem com os diretores da empresa, o município ganhou um pouco do produto e conseguiu iniciar a operação tapa- buracos no primeiro semestre do ano.

Outra grande dificuldade foi a falta de respeito com o cidadão portelandense, por parte da gestão anterior, que sumiu com vários arquivos de dentro da Prefeitura.
Quero ressaltar que diante desse quadro estamos sendo afetados ainda pela grande crise política e financeira do País, refletindo sobremaneira nos municípios com a queda de repasses. Portelândia, para se ter uma ideia, está recebendo em 2017 menos repasses do que no ano passado.

O que está sendo feito para solucionar esses problemas?
Manoel Rodrigues – Tudo está sendo feito através de negociação com credores, parcelando as dívidas e pagando dentro do possível. Também está sendo feito um trabalho, já este ano, visando aumentar a receita do município em 2018. Estou buscando recursos do governo federal, através de deputados federais e de um senador; junto ao governo estadual, através de deputados estaduais, secretários estaduais e do próprio governador do Estado.

No seu primeiro ano de governo o senhor trabalha com um orçamento aprovado na gestão passada. Esse fato gera alguma dificuldade?
Manoel Rodrigues – Com certeza gera grande dificuldade. O orçamento foi aprovado num valor bem elevado e por esta razão ficou muito complicado, pois ao invés da receita aumentar ela diminuiu. O orçamento de 2017 promoveu a elevação de valores, inclusive dos salários. Foi e está sendo um complicador.

Este ano até enfrentamos uma greve dos professores da rede municipal, que queriam aumento salarial, mas não foi possível por falta de recurso financeiro. Através de muito diálogo mostrei a eles que era impossível dar esse aumento agora, nós não temos realmente esse recurso. Agradeço a compreensão por voltarem a sala de aula, por entenderem esse momento que estamos passando.
Em reconhecimento ao trabalho do professor, contrariando até mesmo um de nossos assessores jurídicos, não permiti corte de pontos dos professores que ficaram em greve por quase um mês, deixando-os livre para reporem os dias de aula.

Aproveito a oportunidade para esclarecer à população que o Município não está desrespeitando a Lei do Piso Salarial, pois estamos pagando acima do piso, que é de R$ 2.298,83 para uma carga de 40 horas semanal. Os professores de Portelândia recebem, por 30 horas semanal, R$ 2.348,20.

O fechamento do primeiro ano de sua gestão será tranquilo ou o senhor terá que fazer sacrifícios para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal?
Manoel Rodrigues – Não está tranquilo. Estou tendo que fazer sacrifícios imensos, devido à queda da receita. Ajustar o percentual de gasto com pessoal é uma das formas que adotei. Através da Câmara de Vereadores, solicitei um projeto de lei reduzindo os salários aprovados no ano passado para essa gestão, inclusive o meu salário, o do vice prefeito e o dos secretários. A câmara aprovou e eu sancionei a lei reduzindo salários, mas isso ainda não seria o suficiente. Tive que fazer exonerações de comissionados, romper contratos com alguns prestadores de serviços e demitir outros, sendo estes celetistas. São iniciativas que doem no coração do prefeito, pois existe o trabalho de pessoas queridas e famílias envolvidas. Não está sendo fácil de jeito nenhum. Mas a Lei de Responsabilidade Fiscal existe para ser cumprida e eu vou cumpri-la, sob pena de perder o mandato.

Independente das dificuldades, a população sempre cobra resultados do prefeito. Como o senhor tem convivido com isso?
Manoel Rodrigues – Esta é outra situação muito complicada porque muita gente acha que a Prefeitura precisa resolver as coisas de um dia para o outro. E na prática a coisa é bem diferente. A gente vai aos órgãos competentes, deputado, senador, governador, e faz as reivindicações. Se autorizados nossos pedidos, entramos na fase da execução de projetos e documentos. É uma burocracia incrível e isto demanda tempo. Muitas vezes a cobrança da população não espera. Eu até entendo e sofro também com isso. Tem coisa que a população não pode mesmo esperar tanto.

A população pode esperar o governo de resultados que o senhor prometeu?
Manoel Rodrigues – Sim, tenho muita esperança de dias melhores. Tenho dito que estamos plantando este ano para colher o ano que vem, porque muitas pendências que existiam já foram resolvidas. Conforme disse no início da entrevista, o carro já está andando. Sei que nem tudo que a gente queria vai ser possível, principalmente por causa da crise que o país está passando, isso dificulta muito as coisas. Mas a população pode esperar que vamos cuidar da Prefeitura, do patrimônio público. Fazer um governo moderno e de grandes realizações.

O Governo do Estado anunciou algumas obras em Portelândia. Como está o andamento?
Manoel Rodrigues – Anunciou sim, são várias, por exemplo: Conclusão da Praça Central Manoel Oliveira Guimarães, com os quiosques; liberação de uma verba de R$ 50 mil para reforma do Ginásio de Esportes Ubaldir Siqueira de Resende e sua doação para o município; reforma da estação rodoviária e sua doação para o município; repasse de uma verba de R$ 1 milhão para recapeamento de ruas na cidade. Tudo está em andamento, mas até o momento estamos cumprindo exigências na organização de documentos.

O senhor destacaria alguma conquista nesses primeiros meses de gestão?
Manoel Rodrigues – Sim, já foi feita uma boa reforma na Escola Municipal Professora Celma Pereira Borges. Também receberam reforma a Escola Maternal Dona Levinda Maria de Resende, o Hospital Municipal, o Coreto da Praça Central. Ampla organização na Garagem Municipal.

Está sendo feita uma reforma no Posto de Saúde. Aqui na prefeitura também já foram feitos vários ajustes na estrutura física. Foram feitos vários reparos na iluminação pública da cidade.
Conseguimos, também, a vinda da Patrulha Rodoviária Estadual (maquinários pesados de conservação de estradas) que recuperou várias ruas de chão aqui na cidade e várias estradas rurais.
Já conseguimos R$ 200 mil através de uma emenda parlamentar do deputado federal Lucas Vergílio, para custeio da saúde. Este recurso já veio e já está sendo utilizado. Conseguimos outra emenda, também do Lucas Vergílio, para aquisição de uma retroescavadeira no valor de R$ 189 mil.

Conseguimos junto ao Governo do Estado R$ 250 mil para abertura do Banco do Povo, que já está em funcionamento.
Conseguimos uma emenda parlamentar do deputado federal Daniel Vilela no valor de­ R$ 500 mil para reforma do Hospital Municipal. Outra emenda, também do Daniel Vilela, de mais de R$ 629 mil para aquisição de uma retroescavadeira e dois caminhões caçamba toco.
Uma emenda parlamentar do deputado federal Heuler Cruvinel, de mais de R$ 394 mil que serão destinados para recapeamento de ruas da cidade.
Uma emenda parlamentar do senador Wilder Morais, no valor de R$ 180 mil para aquisição de um trator completo com concha, lâmina e tanque.
Uma emenda parlamentar do deputado estadual Lucas Calil, no valor de R$ 65 mil para aquisição de uma ambulância.
Uma emenda parlamentar do deputado estadual José Nelton, no valor de R$ 66 mil para aquisição de uma ambulância.
Uma emenda parlamentar do deputado estadual Lissauer Vieira, no valor de R$ 85 mil para aquisição de uma ambulância.
Estamos confiantes que estes recursos de emendas também virão.

Na Festa do Carreiro deste ano tivemos uma boa ajuda do deputado estadual Lissauer Vieira, da Câmara Municipal de Vereadores e do Presidente da Faeg, José Mário Schreiner. Fizemos uma excelente festa coordenada pela Secretária de Cultura, Eventos, Turismo, Desporto e Lazer, Jaidiany Carvalho.

Quais são suas metas para os próximos meses?
Manoel Rodrigues – A principal de todas é ajustar as contas e adequar o limite de gasto com pessoal para atender a Lei de Responsabilidade Fiscal. Estamos aguardando também a liberação de verbas destinadas ao município para: as reformas do Hospital Municipal, do Ginásio de Esportes, do Estádio Municipal. O recapeamento do asfalto das ruas da cidade. Vamos aplicar a verba de R$ 180 mil da arrecadação do leilão, em bens duráveis. Vamos adquirir um novo veículo para uso do executivo, pois o atual é muito dispendioso, adquirir um novo veículo para atender a Secretaria de Saúde e comprar os móveis e equipamentos para a nova UBS e colocá-la em funcionamento.

Como tem sido o relacionamento administrativo da Prefeitura com a Câmara Municipal de Portelândia?
Manoel Rodrigues – Graças a Deus temos tido um bom relacionamento, principalmente com a bancada da base e, de um modo especial, com o presidente daquela casa de leis, Sr. Orisley Santos Rodrigues, que tem nos ajudado muito. Temos contado com o apoio até mesmo dos vereadores de partidos adversários. Agradeço a todos pelo espírito público e compreensão.

Qual a mensagem que o prefeito Manoel Rodrigues deixa à população?
Manoel Rodrigues – Que tenhamos esperança e fé em Deus, porque é Deus que nos dá tudo que temos, e é Ele que nos move e é por Ele que estamos neste mundo. A esperança não pode morrer, sejamos otimistas, pois não podemos desanimar nunca e desistir jamais.
Quero agradecer o vice prefeito, Celso Honório. Agradecer a todos os secretários que estão nesta luta, sem medir esforços, sempre empenhados a fazer um bom trabalho.
Agradeço minha esposa Onísia, minha secretária Onidelma, que tem sido meu braço direito. Agradeço o meu filho Onismar, que é também um esteio, cuidando das minhas obrigações particulares. Agradeço minhas outras filhas por estarem me apoiando.

Enfim, quero agradecer a toda a população pela compreensão e apoio. Mesmo com toda dificuldade que estamos passando vou continuar de cabeça erguida, lutando pelo bem comum da comunidade.

É com muita satisfação e com o pensamento elevado a Deus, que quero desejar a todos um feliz fim de ano e um antecipado voto de Feliz Natal. Desejando ao querido povo de Portelândia muita saúde, paz, alegria e amor. Amor ao próximo e a Deus. Um abraço e muito obrigado.

 

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