Mineiros desponta como polo educacional

FOTO: ARQUIVO ENA

“Só o conhecimento poderá nos levar a ser um País de primeiro mundo que todos desejamos”. MARIA LUIZA

Uma mulher no seu tempo, com os olhos e a mente no futuro

Dona Maria Luíza é uma mulher simples, mãe zelosa, pessoa educada, inteligente, uma mulher à frente do seu tempo e uma educadora nata. Natural de Mineiros – Goiás, nascida na Fazenda Invernadinha.
 
Ainda pequena, com apenas 09 anos, foi para Uberaba – Colégio Nossa Senhora das Dores, escola de propriedade das Irmãs Dominicanas.
 
Estudou por 10 anos nessa escola, juntamente com sua irmã Ana Aparecida de Carvalho Martins, enquanto seu irmão, Juarez Távora de Carvalho, estudava no Colégio Diocesano dos padres Maristas, na mesma cidade.
 
Concluído o curso de Magistério em Uberaba, foi para Belo Horizonte onde cursou Letras Neolatinas na Universidade Federal de Minas Gerais.
 
Voltando para Mineiros lecionou Português, Latim, Didática, Metodologia e Sociologia no Colégio Santo Agostinho, dirigido pelas Irmãs da Sagrada Família. Ao regressarem essas Irmãs para o Nordeste, o Colégio construído pela Prefeitura ficou sob os cuidados de Maria Luiza. Nesta oportunidade, este estabelecimento, acrescido de novo prédio, passou a chamar-se Colégio Estadual de Mineiros.
 
À época, o grande idealizador do ensino era José de Assis que, oportunamente, disse à Diretora Maria Luíza: “O nome fica Colégio Estadual de Mineiros para, mais tarde, quando morrer alguém muito importante, mudar o nome”: – Hoje, Colégio Estadual Deputado José Alves de Assis.
 
Maria Luíza casou-se com Dr. Luiz Antônio Luciano com quem teve cinco filhos: Sérgio Luís, Rosana, Antônio Márcio, Ana Lúcia e Luiz Antônio. Hoje é proprietária do Educandário Nascentes do Araguaia, escola onde estudaram e estudam muitos alunos, criando, assim, com professores, pais e alunos, uma grande família.
 
Maria Luíza recebeu a reportagem da Olhaki Revista para esta entrevista especial e histórica…
 
Como surgiu a ideia de fundar o Educandário Nascentes do Araguaia?
Maria Luiza – Trabalhar com educação para mim sempre foi um prazer. No início da década de 80 surgiu a ideia de construir a escola.
 
O apoio foi fundamental: algumas professoras como Nilva Resende, Antônia Cleusa, as companheiras e companheiros do Rotary Club de Mineiros me vêm à memória, Sr. Higino Piacentini e, em especial meu esposo, Luiz Luciano.
 
Hoje se tornou uma grande realização pessoal. É muito gratificante quando alguém se aproxima e conta como a escola contribuiu na sua vida, ou então quando uma criança brinca: “Tia, esta é a melhor escola do mundo!!!”
 
Foi um projeto ousado e marcado pelo idealismo para a Mineiros de 1984, antes mesmo da construção da UNIFIMES. Qual sua análise hoje?
Maria Luiza – Originalmente o projeto se mostrou desafiador, pois Mineiros era uma cidade ainda pequena, com boas escolas públicas, cujos filhos após a “8ª série”, costumeiramente, eram enviados pelos pais para “estudar fora”. Mas a comunidade mineirense, inclusive os novos mineirenses: gaúchos, paulistas e mineiros, acreditaram no projeto e o tornaram grande e vitorioso. Pensávamos em iniciar somente com Fundamental I mas solicitaram, corajosamente, o Fundamental II e Ensino Médio.
 
Para funcionar precisávamos de bons professores. Eis que a sociedade se junta a nós: Professores Dr. Márcio Lacel Camargos, Mª Doroti da C. Trentin, S. Maurosan de Oliveira, Corina Célia Moura Vilela, Marlene F. Vinhal Borges, Albenise Borges Irineu Freitas, Almery Machado Vilela, Irmã Aloísia (Mª Magdalena Shade), Zelman J. Alves, Antônia Cleusa Resende Oliveira, Ana Maria de O. Abdalla Kikuda, Walter Chaves Marim, Antônio César de Oliveira, Arêda Toledo de Moraes Porfírio, Cleusa Itacaramby de Lima Gouveia, Dr. Corival R. Irineu, Dr. João César Guaspari Papaleo, Dr. João Resende Machado, Jurema Borges de Resende Peixoto, Juarez Távora de Carvalho, Laurinda Borges de Oliveira, Magda Borges Irineu, Sebastiana Leda C. Vilela, Sebastiana Lacerda Borges, Urcisina Mª Domingues R. de Oliveira, Sônia Regina Dias Barbosa, Iraci Luíza Severina, Arlô Francisco Alves, Conceição Aparecida Serralha de Araújo, Maria Eliane S. Silva, Maria Edir Oliveira de Sousa, Maristela G. Rodrigues Vargas, Suzana Roberta Gontijo, Izabel Terezinha Ten Caten, Elba Brito R. Fusco, Clarinda Pereira da S. Pin, Marisa Dell Eugenio, Maria Terezinha Rodrigues Costa, Marta Brandão Rezende Carneiro, Siglene Silva Rezende, Valeria Botelho, Iracy Júnia Dias dos Santos, Elizan Carrijo Barbosa, Eliete Oliveira.
 
Secretárias Silma Alves de Oliveira e Marilda Anísia de Resende. Porteiro Osmar Nunes Gonçalves e quituteira Maria de Lourdes Dias Gonçalves.
 
Essas pessoas deram as mãos, no primeiro ano letivo, em 1985, para a realização do sonho de uma escola de qualidade. E ao longo destes 33 anos inúmeros professores de alta competência têm contribuído para o sucesso do ENA.
 
Há quem afirme que a construção do ENA, há 33 anos, revolucionou o ensino em Mineiros, pois outras grandes escolas e universidades surgiram depois. Qual sua opinião?
Maria Luiza – Acredito que o Educandário contribuiu para a formação das novas gerações.
 
É natural que um cidadão mais bem formado e informado aspire por um futuro melhor para sua cidade e sua comunidade, reconheça o valor da educação e busque a melhor formação para seus filhos, para que os mesmos possam enfrentar os desafios futuros na universidade e na sua vida profissional com maior tranquilidade.
 
Mineiros tinha o desejo de crescer, de desenvolver a vocação para a cultura. Não faltaram mentes corajosas e competentes para criar todas estas escolas e faculdades que aí estão.
 
Quais foram os grandes desafios que marcaram a trajetória do Educandário Nascentes do Araguaia?
Maria Luiza – Uma das grandes dificuldades foi quando trabalhamos com o cenário econômico das décadas de 80 e 90, caracterizadas por altíssima inflação – chegando a 499% ao ano. Houve meses em que a hiperinflação atingiu 80% ao mês, gerando um desafio enorme de gerenciar as finanças da escola. Como qualquer outra empresa os desafios fazem parte do cotidiano e todos foram superados com a ajuda de Deus, dos professores, pais e alunos.
 
O que o ENA oferece hoje à educação de Mineiros e região em termos de ensino?
Maria Luiza – O ENA oferece Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, com a parceria enriquecedora da Rede Pitágoras. É parceiro da UNOPAR no Ensino Superior à distância desde 2004.
 
No ENA a educação deve transcender a formação intelectual, buscando a formação de valores, a ética e o caráter.
 
Esta formação integral contempla também a arte, música, poesia, ecologia, raízes culturais; bem como fomenta a criatividade, imaginação, capacidade de análise e equilíbrio emocional. Neste ano implantamos o Programa da Escola da Inteligência que propõe harmonizar as relações entre alunos, pais e professores através da percepção de cada indivíduo, das suas relações pessoais e sua capacidade de influenciar. 
 
Um dos grandes marcos do ENA ao longo de sua história é a qualidade do ensino aplicado. Este, inclusive, talvez tenha sido o maior desafio almejado pela senhora. Não é mesmo?
Maria Luiza – Sim, com certeza qualidade de ensino sempre será o maior desafio de todas as escolas.
 
No ENA faz parte da nossa filosofia e sempre foi levado muito a sério. Qualidade hoje está uma palavra muito “desgastada”, muitos dizem e poucos a tem. Precisamos realmente formar profissionais competentes; só o conhecimento poderá nos levar a ser um país de primeiro mundo que todos desejamos.
 
Na nossa escola o estudo e preparação de todos profissionais, buscando níveis cada vez melhores na qualidade do ensino, é uma rotina e o nosso desafio.
 
Mensuramos continuamente nossos resultados através de avaliações, simulados, Olimpíadas, Programa de Avaliação da Rede Pitágoras, que demonstram o desempenho da aprendizagem dos alunos.
 
No último resultado do ENEM conseguimos um grande feito, ficamos em 7º lugar, em Goiás, na prova de redação. Mais que uma excelente nota e classificação isso nos mostra que a qualidade acompanha as pessoas e organizações competentes, independente de onde estejam. Agora que conquistamos, queremos mais.
 
É claro que a base da qualidade de ensino está sustentada principalmente no carisma e competência dos professores. Neste aspecto agradecemos a dedicação e empenho dos nossos professores e coordenadores.
 
A senhora poderia nos revelar algumas curiosidades que marcaram a construção do Educandário Nascentes do Araguaia?
Maria Luiza – Sim, aconteceram alguns fatos curiosos. Lembro-me de alguns:
* Um fato curioso em relação à escolha do local da construção da escola era a falta de água na cidade, à época, e neste bairro, sendo da parte baixa da cidade, faltava menos água.
 
* O projeto inicial contemplava 4 salas de aula, no entanto, alguns pais, pensando em seus filhos, pediram que fizéssemos mais salas. Desta forma, iniciamos o 1985 com 259 alunos em todas as séries, do ‘Pré’ à 1ª série do Ensino Médio.
 
* Sérgio Luís, desde o início, nos ajudou. O 1º Curso oferecido no ENA foi dado por ele. Curso de Computação, em janeiro de 1985, com a frequência de mais de 30 pessoas.
 
* Com o objetivo de valorizar nossa cidade e a riqueza dos nossos recursos naturais, especialmente um rio tão importante que tem suas nascentes em nosso município, o Rio Araguaia, escolhemos o nome da escola. Inicialmente Nascente do Araguaia, quando então meu irmão e professor Juarez corrigiu: “Então minha irmã, tem que chamar Nascentes do Araguaia, porque são duas nascentes”.
 
A visão de futuro sempre marcou a trajetória do ENA. Quais são suas metas a curto, médio e longo prazo, ou seja, quais são os olhos do ENA para o futuro?
Maria Luiza – A curto e médio prazo continuar o compromisso em estar na vanguarda de uma educação de qualidade é uma meta prioritária.
 
Ampliar a oferta de vagas faz parte da nossa meta de crescimento, sem deixar de valorizar as áreas verdes e a boa relação do número de alunos por sala.
 
A longo prazo, quem sabe, expandir os cursos superiores, criar cursos técnicos ou oferecer cursos profissionalizantes.
 
Estamos sempre pensando no futuro. Todos estes projetos são bem analisados e planejados e, com os pés no chão, caminhamos firmes para realizá-los.
 
Queremos sempre progredir e a cada ano fazer o melhor que pudermos.
 
Do sonho almejado pela senhora à realidade do ENA hoje. Uma escola pujante e sempre em busca de novos horizontes. Como a senhora se sente com essa conquista?
Maria Luiza – Obrigada pelas palavras elogiosas: “Uma escola pujante e sempre em busca de novos horizontes.”
 
Essa conquista é de todos nós, professores, comunidade altruísta, pais que investem na formação dos filhos, alunos bons, e à minha família que sonha e trabalha juntos: filhos e esposo.
 
Professora Maria Luiza, a senhora que já atua há mais de 50 anos na Educação, tem importante participação nas decisões da escola, hoje como Conselheira. Como serão conduzidos os futuros passos da escola?
Maria Luiza – Sempre tratamos de modo especial a conservação da essência, dos ideais e filosofia da escola em todos os seus aspectos, principalmente o pedagógico. Para tal contamos com uma equipe jovem, altamente competente e compromissada, que há tempo vem estudando, se preparando e atuando neste sentido, em especial a nossa atual Diretora Pedagógica Ana Lúcia, que desempenha um excelente trabalho junto com toda equipe de Coordenadores, Assessores, Secretários, todos Professores e os demais diretores: Fabrício, Diretor Financeiro; Luiz Antônio, Diretor Administrativo e Professor Maurosan, Diretor Institucional.
 
Na retaguarda o ENA conta ainda com o apoio dos meus outros filhos, esposas, genros, com suas palavras acertadas, críticas e principalmente com sua amizade e amor.
 
A Escola está em ótimas mãos e eu estou muito em paz, podendo sempre vir “passear” no Educandário, na certeza de que tudo vai bem, graças a Deus.
 
Em suas reflexões, a construção do ENA lhe traz algum pensamento ou lembrança especial?
Maria Luiza – Sim, o pensamento de que valeu a pena! Obrigada, Senhor, pela minha família, pela família ENA.
 

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