‘Spotlight’ leva Oscar de melhor filme e DiCaprio finalmente conquista estatueta

Foto: Reuters/Mike Blake

Oscar: Leonardo DiCaprio foi o melhor ator e o diretor Alejandro Gonzáles Iñárritu o melhor diretor, ambos por 'O regresso'

Foi um daqueles momentos de emoção que vão fazer história no prêmio da Academia. E o Oscar de trilha sonora vai para… Ennio Morricone, por Os Oito Odiados. O público levantou-se para aplaudir o veterano compositor dos spaghetti westerns de Sergio Leone. Em italiano, e com direito a tradutor, Morricone disse que não existem grandes trilhas sem grandes filmes. E agradeceu a Quentin Tarantino. Emoção maior na 68.ª festa do Oscar, que se encerrou na madrugada desta segunda, 29, só o momento mais esperado da noite. O prêmio de melhor ator. Leonardo DiCaprio polarizou as apostas do ano. Leva ou não leva? Levou – em sua quinta tentativa, a quarta na categoria de melhor ator, ele venceu pelo papel como Hugh Glass em O Regresso, de Alejandro González-Iñárritu.

Antes dele, o próprio Iñárritu ganhou seu segundo prêmio consecutivo como melhor diretor, depois do primeiro, no ano passado, por Birdman. Iñárritu agradeceu à Academia e a seu ator dizendo que DiCaprio colocou sua alma no personagem do grisly man, que virou um símbolo da tenacidade do homem do Oeste. O diretor mexicano acrescentou que estamos vivendo um momento histórico – “Essa geração tem o privilégio de poder acabar com os preconceitos.” Foi muito aplaudido, mas não levou o principal prêmio da noite. O melhor filme foi Spotlight – Segredos Revelados, de Tom McCarthy, com sua intransigente defesa do jornalismo investigativo, num momento em que o impresso sofre a concorrência do online (e da proliferação das redes sociais).

E a Academia não deixou barato. Achou até um comediante afrodescendente para fazer sua defesa. Afinal, a discussão sobre racismo no prêmio da Academia atingiu essa edição como nenhuma outra. Chris Rock começou fazendo piada com o Oscar ‘branco’, mas, à medida que esticava sua piada única, ficava cada vez mais evidente que o objetivo era livrar o cinemão – a indústria, a Academia de Hollywood – da acusação de racismo. E Chris Rock insistiu. “Estou aqui para apresentar o Oscar, também conhecido como prêmio das pessoas brancas.” E mais – “Uau, estou vendo 15 negros trabalhando ali atrás”. Adiante, ele fez a ressalva – “Existem, sim, negros nos filmes concorrentes”. Entraram as imagens de Joy, de David O. Russell. Jennifer Lawrence empacada diante da câmera, na cena do estúdio. Whoopi Goldberg, como a encarregada da limpeza, deixa a vassoura de lado e empurra a garota branca – “C’mon, girl, uma black woman já teria dito seu texto”. Perdido em Marte – quanto custaria salvar um astronauta negro? Valeria a pena? Não foram piadas de muito bom gosto, mas, mesmo tentando livrar a cara da Academia, Chris Rock insistiu na posição periférica dos negros na premiação deste ano. 

Ao invés do Oscar de melhor ator coadjuvante, a premiação começou este ano pelos Oscars de roteiro. As cenas dos filmes indicados que apareciam na tela eram complementada com um extrato do roteiro, para o público acompanhar o diálogo e até as marcações de câmera e atores. O recurso não era 100% original – já foi usado antes -, mas valeu. E venceram A Grande Aposta (roteiro adaptado) e Spotlight – Segredos Revelados (original). Agradecendo o prêmio, o diretor e corroteirista Tom McCarthy, de Spotlight, não deixou por menos – “Esperamos que, com essa premiação, aumente a transparência para casos como esses envolvendo a Igreja Católica. Com visibilidade como essa, outras vítimas e envolvidos poderão se pronunciar e ter a coragem de dizer a verdade”.

O melhor coadjuvante do ano passado, J.K. Simmons – Whiplash – veio apresentar o prêmio para a melhor atriz coadjuvante. Venceu Alicia Vikander, por A Garota Dinamarquesa. Nenhuma grande surpresa – Alicia venceu o prêmio da categoria no Sindicato dos Atores. O prêmio de ator coadjuvante saiu quando a cerimônia já ultrapassava duas horas de duração. Quem jogava suas fichas em Sylvester Stallone – e no reboot de Rocky, o ótimo Creed – viu Mark Rylance levar o o prêmio por Ponte dos Espiões. Após garantir que não preparou nenhum discurso, Rylance elogiou as palavras de Chris Rock durante a cerimônia. “Ele evitou que aumentasse o mal estar, que vinha crescendo nos último dias. Da mesma forma que não sou a favor de se distinguir ator principal de ator coadjuvante, não sou favorável da distinção de raças.” 

Uma hora de cerimônia e Mad Max – Estrada da Fúria já havia ganhado três prêmios – melhores figurino, direção de arte e maquiagem. Mais um pouco e viria a quarta estatueta – melhor montagem. E a quinta – mixagem de som. E a sexta – edição de som. Já que a Academia não consideraria seriamente premiar a alegoria visionária de George Miller – afinal, um filme de ação -, pelo menos atribuiu-lhe os troféus das categorias que sustentavam, como pilares, a audaciosa proposta estética (operística?) do diretor. E o Brasil não chegou lá. Alê Abreu viu o prêmio animação ser atribuído a Divertida Mente – o favorito da Pixar – e não o seu belo O Menino e o Mundo.

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