Rebaixamento exige alguém com coragem para mudar economia, diz Robson Andrade

Foto: CNI

Robson Andrade: “Não tem resultado. Qual o resultado? A proposta de ter déficit menor neste ano não aconteceu, superávit no ano que vem não vai acontecer. Então, não fizemos nada. Foi um ano completamente perdido”

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, avaliou como esperado o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch. Ele tinha acabado de dizer que contava com um novo corte durante coletiva de imprensa de fim de ano da CNI quando foi informado da decisão da agência de tirar o selo de bom pagador do Brasil.

"Já era esperado. Temos que dizer: somos rebaixados. O que vamos fazer para corrigir isso e ser elevado de novo a um grau de investimento adequado?", questionou Andrade. Ele afirmou que o diagnóstico e as propostas já estão dados, por diferentes partidos: PMDB, PSD e PSDB. "Sabemos o que fazer. Precisamos de ter alguém com coragem para fazer", afirmou. Ele defendeu medidas que sinalizem mudanças na economia brasileira, como a reforma da Previdência. 

O presidente da CNI disse que a conjunção das crises política e econômica leva o Brasil a uma situação de caos. "Do caos, tem que surgir uma luz, uma solução". 

Levy
Um pouco antes da notícia sobre o rebaixamento, Andrade disse que a preocupação do setor industrial é com quem assumirá o Ministério da Fazenda em uma eventual saída de Joaquim Levy. Andrade criticou o desempenho de Levy no cargo, mas ponderou que a culpa não é só dele.

"Fico preocupado em saber quem vai assumir e com que autonomia", afirmou Andrade. "O ministro deu algumas declarações que foram na direção errada. Se ele está certo ou está errado, não estou discutindo, mas se ele sair, tem que ver quem vai substituir. A grande preocupação que tenho é com essa possibilidade", completou.

Quando questionado se o ministro fez um bom trabalho à frente da Pasta, Andrade rebateu: "Não tem resultado. Qual o resultado? A proposta de ter déficit menor neste ano não aconteceu, superávit no ano que vem não vai acontecer. Então, não fizemos nada. Foi um ano completamente perdido", disse.

O presidente da CNI ponderou que a culpa de 2015 ser um "ano perdido" não é apenas de Levy, envolve a presidente Dilma Rousseff, outros ministros e os parlamentares. "Trabalhar com Câmara e Senado neste ano está sendo muito difícil", afirmou. 

De acordo com ele, o mercado financeiro confia em Levy mas sabe que o ministro não teve apoio necessário para implantar o que gostaria de ter feito e, dependendo do substituto, os agentes financeiros podem concordar com a troca. "Nós não vimos a Fazenda dialogando, discutindo, preparando projetos, preparando propostas… A gente está discutindo, discutindo, discutindo… Fazendo DR todo dia", ironizou.

A CNI projeta que o PIB deve cair 2,6% em 2016, com retração de 4,5% na indústria. Segundo as estimativas, o desemprego alcançará 11%, o consumo das famílias diminuirá 3,3% e os investimentos, 12,3%.


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O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, afirmou nesta quarta-feira, 16, que a sociedade brasileira vai ser benevolente com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), caso ele assuma, em um eventual impedimento da presidente Dilma Rousseff pelo Congresso.

"Se, por acaso, tiver o impeachment e o vice-presidente Michel Temer assumir, tenho certeza que vai ter um período de graça e benevolência da sociedade brasileira, que vai dar um prazo, acreditando que ele vai fazer as reformas e mudanças necessárias", afirmou Andrade, em coletiva de imprensa. "Acho que esse período não vai ser longo. O povo não está tendo muita paciência", completou. 

Andrade afirmou que, depois da análise do processo, se a presidente for "absolvida", ela terá mais força para terminar seu mandato. "Acredito nisso: ela deve ter um aval para tomar as decisões que o País precisa para sair dessa situação", afirmou. 

Segundo Andrade, a CNI não fechou um posicionamento sobre a permanência da presidente no cargo, mas defende que o processo de impeachment, considerado "democrático", seja rápido. "Somos a favor de que esse rito seja seguido o mais rápido possível. Não temos um posicionamento político a favor ou contra o impeachment. O Congresso que tem que fazer esse julgamento, com legitimidade ou não, seguindo o rito do Supremo Tribunal Federal", avaliou.

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