Não será fácil superar problema na cadeia produtiva da carne, diz ministro

FOTO: FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

Blairo Maggi: “Se, por exemplo, os granjeiros de Mineiros perderem os perus, o prejuízo é gigante. E esses produtores precisam de apoio financeiro para retomar suas atividades

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse na quarta-feira, 30, que “não será fácil” superar os problemas na cadeia produtiva da carne, que sofreu forte impacto da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. “Parou todo o sistema. Até recolocar, fazer com que as coisas voltem a acontecer, é natural (a demora).”

Ele fez esse comentário ao ser questionado sobre a decisão da JBS de dar férias coletivas em 10 de suas 36 unidades de abate de bovinos do País e também pelo acúmulo de 300 mil perus para abater em granjas de Mineiros (GO), onde foi interditado um frigorífico da BRF que processa aves.

“Vamos ter problemas, sim”, admitiu. “Não é porque o mercado (externo) reabriu que volta tudo ao normal no dia seguinte”, lamentou. É por isso, explicou o ministro, que o governo anunciou na quarta uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para socorrer os produtores. Se, por exemplo, os granjeiros de Mineiros perderem os perus, “o prejuízo é gigante”, reconheceu. E esses produtores precisam de apoio financeiro para retomar suas atividades.

O ministro previu que os frigoríficos interditados poderão ser reabertos em duas a três semanas. A Agricultura aguarda os laudos técnicos para certificar-se que não há mais problemas. “Não tem nenhuma ação para retardar”, afirmou. “O que queremos é a normalidade do mercado.”

O secretário executivo do ministério, Eumar Novacki, disse que a área técnica está levantando dados sobre eventuais impactos da Operação Carne Fraca no mercado interno.

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Os criadores de perus e frangos não são os únicos produtores do município que estão perdidos com a paralisação do complexo frigorífico da Perdigão na cidade. A apreensão com o desdobramento da Operação Carne Fraca também levou os produtores de milho a se reunirem para fazer contas e tentar encontrar uma rota alternativa para a venda da “safrinha”, que começará a ser colhida em junho.

Praticamente 40% da safra local do milho costuma ser consumida pela BRF, empresa investigada pela Polícia Federal. O grão é misturado ao farelo de soja e transformado em ração para as aves criadas no município. A previsão é de que a safrinha de Mineiros produza cerca de 760 mil toneladas de milho. Nos cálculos da Cooperativa Mista Agropecuária do Vale do Araguaia (Comiva), que reúne 1,3 mil produtores de grãos da região, a fábrica da Perdigão ficaria com cerca de 300 mil toneladas dessa produção neste ano.

Neste momento, porém, nada está decidido. “Os produtores conseguiram vender só 5% de toda a produção da safrinha até agora”, lamenta Marco Antônio Campos, presidente da Comiva. “Nessa época do ano, já devíamos ter negociado mais de 70% do que será colhido.”

Produtor de milho e dono de granjas no município, Campos afirma que o cenário econômico já vinha pressionando a queda do preço do milho, situação que tende a se intensificar com a crise da carne. Em condições regulares de mercado, a saca do grão estaria sendo negociada a um preço médio de R$ 26, mas o valor que tem sido praticado gira em torno de R$ 20 a saca. “Se essa situação com o frigorífico persistir, sabe-se lá o que vai acontecer com o setor. O jeito é começar a buscar outros mercados.”

Há três meses, Campos colocou para funcionar as novas instalações da granja de perus que instalou em sua fazenda. Foram R$ 2 milhões gastos na ampliação da estrutura que já tinha recebido investimento inicial de R$ 1,8 milhão. Desse recurso, 90% vieram de financiamento do Banco do Brasil, empréstimo para ser pago em dez anos. “A apreensão é grande porque também assumi os riscos financeiros”, diz ele. “Esse deveria ser o melhor momento para o meu negócio, mas está se transformando em um grande problema, e sem solução a caminho.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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