Meirelles diz que sem reforma da Previdência serão necessários mais cortes

FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Com as reformas desejadas pela nova equipe aprovadas, Meirelles disse apostar que a economia possa voltar a crescer já nos próximos trimestres

Ainda sem informar o tamanho real do rombo das contas governamentais este ano, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ameaçou na quarta-feira, 18, fazer mais e maiores cortes nos gastos federais caso o governo não consiga aprovar uma reforma da Previdência que valha também para os trabalhadores ainda na ativa. 

Foi a primeira vez que uma autoridade do governo falou claramente em alterar direitos já em vigor. Não fazer isso, na avaliação do ministro, seria uma "má solução" para a Previdência e não ajudaria a solucionar os problemas fiscais que estão no centro da crise brasileira.

Com as reformas desejadas pela nova equipe aprovadas, Meirelles disse apostar que a economia possa voltar a crescer já nos próximos trimestres. "Se o regime de Previdência for alterado apenas para quem não entrou ainda no mercado de trabalho, ótimo, muito bom. Por outro lado, isso só vai fazer efeito num prazo muito longo. Para a dívida pública é uma má solução", argumentou em entrevista a um grupo de jornalistas.

"Se não for isso, temos que discutir quais outras despesas públicas terão de ser cortadas nos próximos anos. Queremos garantir a aposentadoria dos trabalhadores e a solvência do Tesouro Nacional", completou.

Ainda assim, Meirelles evitou classificar como "inegociáveis" pontos da proposta em estudo pelo governo e que deve ser apresentada em até 30 dias. Mas reforçou que a colocação de uma idade mínima para a aposentadoria – defendida por ele desde o dia em que assumiu o cargo – é um dos fatores que têm "mais peso" na modelagem que está sendo desenhada.

Consciente da resistência que a reforma terá em diversos segmentos – mesmo com a ampla base de apoio do governo no Congresso Nacional – o ministro tem claro que a comunicação da proposta terá de ser bem feita. 

"As pessoas dizem que um mês (para apresentar a proposta) é muito tempo, mas uma reforma da Previdência feita em uma semana seria uma coisa mal feita, que não seria aprovada nem iria funcionar. Trata-se de um trabalho técnico, mas ao mesmo tempo político e social. A sociedade tem que ser convencida do que é preciso fazer", acrescentou.


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São necessárias medidas duras nos Estados, diz Meirelles

Com menos de 40 dias para negociar com os Estados as dívidas que os entes têm com a Federação, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o governo está analisando o que pode ser feito para auxiliar as contas estaduais. Baseado num discurso de uma proposta factível, Meirelles afirmou que é preciso equacionar a situação do País. "São necessárias medidas duras inclusive nos Estados e uma análise muito rigorosa de qual é o acordo possível. Precisamos resolver o que vamos fazer", destacou durante uma entrevista para um pequeno número de jornalistas.

O ministro lembrou ainda que os entes da Federação não podem ficar sem pagar funcionários, como aconteceu com o Rio de Janeiro. O dirigente da Fazenda lembrou ainda que, assim como no governo federal, houve crescimento "bastante relevante" das despesas públicas estaduais. "É o momento de enfrentar tudo isso", disse. 

As críticas que o governo sofreu com os pedidos de contrapartidas pelos Estados foi defendida por Meirelles. Ele avaliou ser "inevitável" que os Estados façam sua parte. "Da mesma maneira que a União já tem e está tomando medidas duras, é necessário que os Estados também o façam", destacou, evitou, no entanto, comentar qualquer possibilidade de moratória. 

O ministro está encarando a negociação de agora como uma "nova rodada entre o governo federal e os Estados". Na década de 90, os entes da Federação e a União discutiram uma renegociação da dívida. "A meta agora não é anunciar medidas bombásticas e criarmos uma sensação muito rápida e que depois crie frustração e enfraqueça o processo de ajuste", afirmou. 

Durante o julgamento do mérito sobre os cálculos das dívidas estaduais, o Supremo Tribunal Federal deu 60 dias para que a União e os Estados entrem num acordo quanto ao tema. A decisão foi tomada em 27 de abril.

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