Juros atuais do cartão estão bem acima de 485% ao ano

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Com a cobrança das taxas estratosféricas, ficou impossível quitar a dívida do cartão

O Banco Central divulgou, na última semana, dados que apontam novo recorde das taxas de juro cobradas no crédito rotativo do cartão: na média, chegaram a 485% ao ano em dezembro. Se esses juros causam estranheza e questionamentos, convém frisar que se trata de uma média, na realidade os juros estão mais ardidos.

Pesquisa mais recente feita pelo próprio BC, de 9 a 13 de janeiro, mostra que as taxas estão bem acima disso. Considerando os 5 maiores bancos do País, o Itaú cobra no rotativo juros anuais de 632% ao ano, a Caixa, de 593%, o Santander de 586%, o Bradesco, de 557%, e apenas o Banco do Brasil está com uma taxa de 473%. Como se vê, a grande maioria dos correntistas brasileiros está pagando um custo bem mais alto a título de registro. Na financeira Avista os juros estão em 1.358% ao ano.

Não por acaso, o governo anunciou medidas que têm por objetivo derrubar esses juros, que são vergonhosos. É verdade que o rotativo do cartão deve ser acionado somente em casos de urgência e por períodos mais curtos, mas o consumidor que perdeu o emprego, perdeu renda com a alta da inflação, perdeu o pé também para administrar suas finanças se vê sem opção.
Com a cobrança das taxas estratosféricas, ficou impossível quitar a dívida do cartão.

As mudanças
A novidade no cartão refere-se ao uso do crédito rotativo por apenas um mês. Quer dizer, o consumidor poderá pagar o mínimo de 20% do saldo devedor e rolar a dívida para a fatura seguinte. Só que no próximo vencimento dessa fatura terá de quitar o total das despesas ou renegociar a dívida com o banco. Dessa forma, será estancado o crescimento da dívida como uma bola de neve. Depois disso, o consumidor poderá continuar usando o cartão até o limite de despesas determinado em contrato.

Somente o total da dívida que entrou no rotativo em determinado mês é que fica congelado para pagamento total no mês seguinte ou para a renegociação. Embora exista essa possibilidade de novas compras, quem já entrou no rotativo, porque perdeu a condição de pagar regularmente a fatura, deve parar de vez de usar o cartão até que alcance um equilíbrio no orçamento.

Outras mudanças poderão ser adotadas para o uso do cartão de crédito, mas a melhor forma de administrar as despesas com o cartão continua sendo o planejamento, gastando o que cabe no orçamento para que haja capacidade de pagamento total da fatura na data do seu vencimento.

Cheque especial
Também no cheque especial as taxas atuais em alguns bancos superam o nível médio de 329% ao ano, registrado em dezembro do ano passado. Na segunda semana de janeiro, os juros no Santander estavam em 453% ao ano e no Itaú, 335% ao ano. No Bradesco, 312% ao ano, no Banco do Brasil, 302% e na Caixa, 301%. Também por ser uma das linhas mais caras de crédito, o cheque especial deve usado por pouco tempo. Vale a pena buscar outras linhas de crédito mais baratas como o crédito pessoal e o consignado para evitar entrar no limite do cheque especial.

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