Indústria brasileira vive clima de desalento

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Embora em janeiro tenha ocorrido um leve crescimento de 0,4% em relação a dezembro de 2015 - interrompendo um ciclo de sete meses seguidos de quedas -, não há esperanças de uma recuperação consistente para o ano

A produção industrial brasileira acumula queda de 8,7% nos últimos 12 meses até janeiro. É o maior recuo desde novembro de 2009, de acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física Brasil (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora em janeiro tenha ocorrido um leve crescimento de 0,4% em relação a dezembro de 2015 – interrompendo um ciclo de sete meses seguidos de quedas -, não há esperanças de uma recuperação consistente para o ano. Com isso, a expectativa de analistas é que prossigam o fechamento de empresas em diversos segmentos da economia e as demissões de trabalhadores.

Na opinião de Pedro Wongtschowski, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), entidade que reúne vários dos maiores industriais do País, "o cenário da indústria para os próximos dois anos depende muito do que vai ocorrer com a economia" ao longo do ano.

Estudo recente do Iedi constata que a indústria brasileira teve o pior desempenho entre as principais economias globais no quarto trimestre de 2015.

A produção nacional recuou 12,4% na comparação com igual período do ano anterior, desempenho muito inferior ao da produção mundial, que registrou crescimento de 1,9%.

A produção da Rússia, país que também passa por grave crise econômica, teve queda de 5,7% no quarto trimestre. No Chile, houve recuo de 1,5%, e na Argentina de 0,9%. O México apresentou crescimento de 2,2%. Na América Latina como um todo, a queda foi de 4%.


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Investimentos dependem de resolução da crise política, diz Paulo Butori

O ex-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori afirmou nesta segunda-feira, 28, que a retomada dos investimentos no setor depende "de qual governo estará lá". "Nesse momento estamos todos em espera", afirmou, durante a sétima edição do Fórum da Indústria Automobilística.

Butori aposta que a crise política deve se resolver nos próximos dias, sem deixar claro se estava se referindo ao impeachment. "Pela necessidade que se tem, acho que vamos sair dessa encrenca com certa rapidez". Ele também elogiou o programa do PMDB que propõe uma saída para a crise, chamado "Uma ponte para o futuro". "Tem coerência", disse.

O ex-presidente do Sindipeças, que deixou o cargo há algumas semanas para se tornar conselheiro da entidade, negou, no entanto, que a recuperação econômica esteja necessariamente vinculada à saída da presidente Dilma Rousseff. "Precisamos é de uma resolução do que está aí", resumiu.

Segundo Butori, os investimentos previstos para o setor em 2016, de US$ 575 milhões, são o mínimo necessário para que as empresas sobrevivam. O montante representa uma queda de 7,5% em relação ao que foi investido no ano passado: US$ 622 milhões. A depender dos desdobramentos da crise política, os investimentos poderiam crescer ou cair ao longo do ano.

A expectativa do setor, segundo projeção divulgada no início do ano, é de que o faturamento alcance R$ 64 bilhões neste ano, crescimento nominal de 1,3% na comparação com 2015. No ano passado, o setor faturou R$ 63,2 bilhões, recuo nominal de 17,7% ante 2014. Com o recuo, o número de postos de trabalho caiu de 194,7 mil para 164,9 mil.

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