Fitch retira grau de investimento do Brasil

Foto: Montagem

A Fitch informou em seu comunicado que a perspectiva negativa reflete contínua incerteza e risco de piora econômica. Também envolve risco de piora fiscal e política

A agência de classificação de risco Fitch retirou nesta quarta-feira, 16, o grau de investimento do Brasil. A instituição rebaixou o rating do nível BBB- para BB+, com perspectiva negativa. Segundo a agência, o rebaixamento reflete a depressão mais profunda da economia que o antecipado e também acontecimentos fiscais adversos e crescente incerteza política. 

A Fitch informou também que a perspectiva negativa reflete contínua incerteza e risco de piora econômica. Também envolve risco de piora fiscal e política. No comunicado, a agência ainda citou efeitos negativos das investigações de corrupção na Petrobras e a deterioração econômica contínua, diante de condições econômicas mais fracas.

De acordo com a Fitch, o ambiente externo segue difícil, com queda das commodities e desaceleração na China.

A agência de classificação de risco destacou também que repetidas mudanças nas metas fiscais minaram a credibilidade da política fiscal e que o início do processo de impeachment contra a presidente da República, Dilma Rousseff, amplia incertezas políticas.

A Fitch prevê que o déficit fiscal pode chegar a ultrapassar 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015. Segundo a agência, o déficit fiscal deve permanecer elevado em 2016 e 2017, em média acima de 7% do PIB


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Fitch avalia que deterioração fiscal do Brasil continua

No comunicado que informa o rebaixamento do Brasil e a perda de seu grau de investimento, a agência de classificação de risco Fitch afirma que a deterioração fiscal do País continua, em meio a um cenário de condições econômicas mais fracas. Em dezembro, o governo garantiu a aprovação de um déficit primário de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2015, refletindo um desempenho de receita adverso, a fraca capacidade de cortar gastos e gastos únicos potenciais equivalente a cerca de 1% do PIB, diz a agência.

"As repetidas mudanças nas metas fiscais têm minado a credibilidade da política fiscal", afirma a agência. Além disso, a Fitch diz que o ponto de partida pior das contas fiscais, a contração econômica pior que a prevista e o aumento da incerteza política nas últimas semanas lançam mais dúvidas sobre a capacidade do governo de conseguir a aprovação no momento adequado para atingir sua meta de superávit fiscal para 2016. "Para além disso, a aprovação de medidas para melhorar estruturalmente a perspectiva para as finanças públicas e garantir a credibilidade da consolidação fiscal no médio prazo parece difícil, no atual ambiente político."

Diante desse quadro, o cenário-base para as projeções fiscais da Fitch para o País se deteriorou, com a agência prevendo que o déficit nominal (déficit fiscal do governo geral) atinja 10% do PIB em 2015 e permaneça elevado, em média em mais de 7% do PIB, durante o período entre 2016 e 2017. "O grande déficit em 2015 também é devido a taxas de juros mais altas, particularmente refletindo as perdas em swaps cambiais oferecidos pelo banco central", afirma a agência. "Os déficits fiscais maiores, junto com a contração econômica maior, está levando a um crescimento maior no peso da dívida sobre o governo que o anteriormente esperado", diz a Fitch, prevendo que a dívida do governo geral atinja mais de 70% do PIB em 2016 e avançando ainda mais em 2017. Esses patamares são significativamente maiores que as medianas para os países detentores das notas BBB (43% do PIB, nesse caso) e BB (44,4% do PIB), diz a agência.


Início do processo de impeachment amplia incertezas políticas, diz Fitch

O início recente de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff tem adicionado incerteza a um já difícil ambiente político, de acordo com a agência de classificação de risco Fitch, que retirou o grau de investimento do Brasil ao cortar o rating de BBB- para BB+, com perspectiva negativa. 

A Fitch acredita que o processo de impeachment prejudicaria a execução e a eficácia dos ajustes fiscais corretivos. "O cenário político já tem sido contaminado pelo avanço das investigações da Petrobras, muitas vezes deixando tensas as relações do governo com os seus aliados no Congresso e reduzindo a popularidade da presidente. A taxa de desemprego mais elevada e uma crise econômica profunda poderiam levar a desafios políticos e de governabilidade adicionais no próximo ano", aponta a Fitch.

A agência destaca que a crise econômica e a depreciação do real em relação ao dólar levaram a uma redução de 36% no déficit em conta corrente em termos nominais entre janeiro e outubro em relação ao mesmo período do ano passado. Maior redução do déficit em conta corrente é esperado durante o período de previsão, o que poderia reduzir os riscos relacionados com potenciais condições mais apertadas de financiamento externo. Por outro lado, a inflação permanece elevada em 10,5%, e as expectativas de inflação, depois de terem recuado, já mudaram de curso e começaram a aumentar em 2016 e 2017, mantendo-se acima da meta de inflação de 4,5%.

Segundo a Fitch, o rating BB+ do Brasil é apoiado pela sua diversidade econômica e as instituições civis consolidadas, com seus indicadores de renda per capita e de governança melhores do que a média dos países com rating BB. "A capacidade de absorção de choques do País é impulsionado pela sua taxa de câmbio flexível, as reservas internacionais robustas, uma posição soberana de credor externo forte, mercados de capitais de dívida do governo nacional profundo e desenvolvido, e um sistema bancário capitalizado adequadamente", ressaltou a agência.

A Fitch apontou ainda que a parcela da dívida em moeda estrangeira no total da dívida das administrações públicas continua a ser baixa e a gestão prudente reduziu os riscos de refinanciamento das taxas de juros. "Além disso, o governo mostrou alguma capacidade de resposta em condições difíceis através da implementação de ajustes de preços relativos, o aperto da política monetária em meio a uma profunda recessão e controle dos estímulos quase fiscais".

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