Empresas globais desengavetam planos de investimentos no País, diz Meirelles

FOTO: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Henrique Meirelles: "Acho prematuro fazer previsões, mas esperamos a retomada de atividade nos próximos trimestres. Não serão necessários anos. Quanto mais rápidas as medidas forem adotadas, mais precisas serão essas previsões"

Sem prometer um prazo para que o Brasil saia da crise, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse na quarta-feira, 18, esperar que a retomada da atividade econômica ocorra já nos próximos trimestres. Com apenas oito dias no cargo ele relatou já ter sido procurado por executivos de empresas globais que estariam começando a desengavetar planos de investimentos. 

"Acho prematuro fazer previsões, mas esperamos a retomada de atividade nos próximos trimestres. Não serão necessários anos. Quanto mais rápidas as medidas forem adotadas, mais precisas serão essas previsões", avaliou o ministro. 

Meirelles analisou que o retorno das bases para o crescimento da economia depende sobretudo da volta da previsibilidade para os investimentos após um período de retrocessos na confiança do mercado na estabilidade de regras no País. "Recebo relatórios de empresas globais que já me ligaram dizendo que estão reativando planos de investimentos que estavam arquivados. Isso significa que já estão apostando que o País voltará a crescer, já é ganho de previsibilidade", alegou.

O maior trunfo do País, na opinião do ministro, é a manutenção do mercado de consumo. "O desemprego aumentou, mas o número de empregados hoje é maior do que era há 15 anos. A classe média cresceu e está aí, apesar de estar sofrendo nos últimos tempos", afirmou. 

Para alavancar rapidamente os investimentos, Meirelles considerou ainda que outros retrocessos da economia nos últimos anos, como o aumento do intervencionismo estatal e a incerteza inflacionária, são problemas que o governo tem condições de reverter.

Carga tributária
O novo ministro da Fazenda afirmou que não há dúvida de que a carga tributária brasileira é elevada e que o objetivo é estabilizar e reduzir essa carga. "Vamos verificar se é necessário ter algum aumento de impostos, seja algum que já está em discussão ou não", disse.

Como objetivo principal de longo prazo, o ministro lembrou que o importante é que a dívida pública seja sustentável. "Não há dúvida de que é possível, mas não há dúvida que existirão medidas estruturais para que isso seja possível", frisou. Na avaliação do ministro, além do aumento de imposto, o governo está estudando cortes em vinculações constitucionais, por exemplo, além de estabelecer um teto para evolução das despesas públicas que se ajustem no tempo a patamares sustentáveis que sejam horizontais, mas evitou confirmar qualquer hipótese. "São hipóteses meramente exemplificativas", destacou. 

Em vários momentos da entrevista com um pequeno número de jornalistas, o ministro reforçou que o principal objetivo é estabilizar a trajetória da dívida. Ele lembrou que medidas para que esse objetivo seja alcançado serão tomadas agora e que seus efeitos serão sentidos no longo prazo, já em outro governo.

Dívida pública
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, previu um prazo de até quatro anos para a trajetória de alta da dívida pública se estabilizar. "Um horizonte de estabilização da dívida de dois, três, quatro anos é razoável, dependendo da velocidade da estabilização", afirmou. Ele advertiu que a dívida em "poucos anos" pode atingir patamares insustentáveis. Trajetória que, segundo ele, precisa se revertida. 

"Quanto mais rápido melhor" afirmou. Ele ponderou que essa melhora ocorrerá no próximo governo, mas é preciso tomar as medidas de longo prazo agora. "Estamos falando de medidas que terão efeitos em vários governos, mas medidas têm que ser tomadas agora", disse.

Ele enfatizou que o governo trabalha com um cenário base para a política fiscal com o qual o governo passará a adotar que é "realista". "Tem que ser realista fazendo o maior esforço possível, mas que seja realista e seja de fato cumprido, temos que definir com a menor margem de incerteza", disse.


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Anúncios de Meirelles são positivos, diz porta-voz da FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia como "positivos" os anúncios feitos até agora pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. De acordo com o porta-voz da instituição, Gerry Rice, em conversa com jornalistas na quinta-feira, 19, o FMI espera que as reformas sejam rapidamente adotadas para corrigir os desequilíbrios macroeconômicos no Brasil.

"É difícil prever como a situação política e econômica do Brasil vai evoluir, mas certamente esperamos que as reformas muito necessárias sejam rapidamente adotadas para ajudar o Brasil a superar o difícil momento atual", disse Rice. "Achamos que os anúncios feitos pelo ministro Meirelles têm sido positivos", complementou. O ministro tem dado declarações sobre a necessidade de cortar gastos públicos para ajustar as contas fiscais e priorizando a reforma da previdência.

Gerry repetiu aos jornalistas recomendações recentes do FMI dadas ao País, como a necessidade de reforçar o arcabouço macroeconômico que foi útil ao Brasil no passado, o que inclui responsabilidade fiscal e inflação dentro da meta. "Nesse sentido, damos as boas vindas à ênfase dada por Meirelles na necessidade de estabilizar a trajetória da dívida e para preservar a Previdência com reformas que assegurem sustentabilidade financeira no longo prazo."

Ajustes para corrigirem desequilíbrios macroeconômicos são "essenciais" para provocar uma reviravolta nos índices de confiança, que caíram para níveis historicamente baixos, e no investimento, afirmou Rice.

O FMI, segundo o porta-voz, espera poder colaborar com assistência técnica e conselhos de política econômica para a nova equipe econômica do presidente em exercício Michel Temer.

O Fundo deve divulgar em julho um relatório com atualização das projeções de crescimento da economia mundial e dos principais países, incluindo o Brasil. A previsão divulgada em abril previa contração de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e crescimento zero em 2017. Nos dois anos, a expectativa era que o País ficasse com os piores desempenhos entre as principais economias do mundo.

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