Empresários querem urgência das instituições para tirar País do caos

Foto: FIESP

Na FIESP cerca 300 empresários cantaram o hino nacional completo, segurando as bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo

Os empresários brasileiros estão perplexos diante da grave deterioração do cenário político, que submete o País a uma situação sem precedentes em sua história recente. A informação consta de nota distribuída nesta quinta-feira, 17, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), na qual a entidade e as Federações das Indústrias dos Estados manifestam "extrema preocupação com o agravamento da crise política e econômica que o Brasil atravessa". 

No comunicado feito à Nação, a CNI alerta para o caos em que a política nacional mergulhou, gerando profundas incertezas e piorando as perspectivas da economia, já abalada pela mais séria recessão dos últimos 25 anos, critica a "paralisia decisória" que afastou o País do caminho do crescimento e exige "grandeza, serenidade e espírito público dos homens e das mulheres que ocupam os Três Poderes da República, para que o Brasil possa superar o cenário adverso, voltar a crescer e ter confiança no futuro".

"A indústria nacional não pode aceitar que disputas e desavenças políticas se sobreponham aos interesses maiores da Nação", destacou a entidade na nota. "É imprescindível restabelecer a governabilidade. É fundamental restaurar a moralidade no trato dos assuntos públicos, adotar melhores práticas administrativas e implantar medidas favoráveis à estabilidade social, ao emprego e ao desenvolvimento", defendeu.

A nota ainda assinala que "o setor empresarial espera que as instituições brasileiras, principalmente o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), com o apoio e a participação da sociedade, consigam encontrar, com urgência, soluções para tirar o País da crise política e econômica". A nota é assinada pelo presidente da CNI, Robson Andrade.


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Empresários gritam 'impeachment já' e encerram encontro com hino nacional

O encontro de cerca 300 empresários no prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) foi concluído com o cântico do hino nacional completo, entoado, de pé, pelos executivos presentes que carregavam as bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo. O hino deu o tom final a um dia que contou com gritos coletivos de "impeachment já", puxados a pedido do presidente da Associação Comercial São Paulo (ACSP), Alencar Burti. 

Durante a reunião, os líderes empresariais presentes decidiram iniciar uma pressão conjunta para que os deputados e senadores priorizem o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que a entidade mudou o seu discurso. Até ontem, a Fiesp exigia a renúncia de Dilma Rousseff. "Mas como a presidente não renunciou nem sinalizou que vai renunciar, nós estamos defendendo o impeachment já", disse. 

Foi sugerido por um dos participantes que os empresários mostrassem aos políticos que "estão de olho" nas votações dos parlamentares. Entre as ideias ventiladas no encontro, também foi pedido por outro executivo que os empresários reforcem o lema do "impeachment já" em cartazes em padarias e supermercados aproveitando que muitos dos executivos no local representam esses segmentos. 

Alguns dos participantes, trajados quase unanimemente de ternos e gravatas, seguravam uma miniatura do Pixuleco, boneco do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestido como presidiário. A "caricatura" do petista também era carregado do lado de fora do prédio da Fiesp, onde centenas de pessoas, vestidas com cores nacionais como verde e amarelo, ou trajadas com o preto "de luto", pediam a saída da presidente Dilma Rousseff. 

Skaf afirmou que as associações empresariais presentes no encontro, na verdade, representaram milhares de outras organizações que são vinculadas a elas, citando como exemplo a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), que reúne 421 entidades do comércio. Skaf também afirmou que o grupo de empresários conta com o apoio da sociedade civil. No entanto, após a reunião, ele foi vaiado pelos manifestantes que ocupam a Av. Paulista, voltando logo em seguida para o prédio da entidade.

Mais cedo, integrantes de movimentos que protestam contra o governo de Dilma Rousseff e são ligados à Fiesp, como o Vem Pra Rua e o Endireita Brasil, almoçaram no prédio da entidade. A assessoria de imprensa da Fiesp negou que eles tenham comido filé mignon, mas sim carne, purê de batata e penne ao sugo. O cardápio, segundo a assessoria, é o mesmo servido para funcionários da Fiesp no refeitório do prédio. Alguns dos integrantes dos movimentos, inclusive, participaram da reunião com empresários que ocorreu nesta tarde.

PMDB
Em entrevista à reportagem, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Edson Campagnolo, sinalizou apoio a um possível governo de Michel Temer (PMDB), atual vice-presidente da República, no caso de um impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

"Quando olhamos para frente, não conseguimos enxergar uma luz no final do túnel, mas nós temos um vice-presidente, que na ordem constitucional deve receber esse posto da presidência", afirmou o executivo após encontro na Fiesp. O executivo minimizou o possível impacto de denúncias sobre um eventual mandato de Temer como presidente. 

"Sabemos que algumas vezes termina um governo, uma prefeitura ou uma legislação, e aquele que foi 'impedido' de tomar posse toma posse por meios dentro da legalidade e leva o mandato até o fim. Daqui a pouco, isso pode acontecer com Michel Temer", acrescenta. 

O descolamento entre PT e PMDB deve acontecer antes do esperado. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou acreditar que o PMDB deverá decidir pelo desembarque do governo antes do prazo de 30 dias definido na convenção do último sábado. "Já deveria ter desembarcado", disse o empresário, que é filiado ao PMDB e foi candidato a governador de São Paulo em 2014.


Fiep sinaliza apoio a um governo de Michel Temer no caso de impeachment de Dilma

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Edson Campagnolo, sinalizou apoio a um eventual governo de Michel Temer (PMDB), atual vice-presidente da República, no caso de um impeachment da presidente Dilma Rousseff. O executivo contou que, após encontro com empresários de seu Estado, foi validado um manifesto a favor da "derrubada" da presidente Dilma.

"Quando olhamos para frente, não conseguimos enxergar uma luz no final do túnel, mas nós temos um vice-presidente, que na ordem constitucional deve receber esse posto da presidência", afirmou o executivo em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, após encontro na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Qualquer grupo político que dentro da ordem constitucional vier a assumir, daremos um voto de confiança porque não podemos esperar mais três anos para findar esse governo", disse.

O executivo minimizou o possível impacto de denúncias feitas contra Temer sobre um eventual mandato dele como presidente. E, para o objetivo de alcançar o impeachment de Dilma, o executivo disse também que devem ser feitos "esforços" para "conscientização" de parlamentares paranaenses sobre o processo.

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