CHOCOU O BRASIL – Autor de atentado era solitário e quis causar sofrimento, diz vizinho

Reprodução/Facebook

Damião Soares dos Santos, suposto autor do atentado

Damião Soares dos Santos, conhecido em Janaúba, norte de Minas Gerais, como ‘Damião Picolé’, era visto por vizinhos como um sujeito “solitário e calado”, mas nunca demonstrou ser agressivo. Ele é o suspeito de ter incendiado a creche Gente Inocente, na tragédia que causou a morte de sete crianças e uma professora, além do próprio Damião.

“Toda a vida, Damião foi muito solitário. Nunca foi casado e nunca o vi com uma namorada”, comenta um vizinho que o conhecia há pelo menos duas décadas. Ele prefere não se identificar porque, “em cidade pequena, o pessoal faz muita fofoca, melhor evitar um problema”.

Para o vizinho, a escolha da creche não foi aleatória. “Ele gostava muito de criança, mas acredito que escolheu a creche para causar sofrimento nas outras pessoas também, causar uma comoção geral. Porque se fizesse o que fez na casa dele, só a família sofreria, como está sofrendo”, diz o morador de Janaúba.

A Polícia Civil de Minas Gerais afirmou que as investigações sobre o incêndio apuraram que Santos “era obcecado por crianças”. Segundo os investigadores, o crime foi premeditado. Foram achados galões de combustível na casa do vigia e foi apurado que ele marcou simbolicamente a data de falecimento do pai.

A Polícia Civil afirmou que “Damião também disse à família, na última terça-feira (3), que daria um presente a todos, se matando em breve”.

Cosme e Damião
Os irmãos gêmeos nascidos em 21/05/1967 foram batizados Cosme e Damião por vontade da mãe, devota dos santos que ela celebra todo dia 27 de setembro com uma cerimônia feita com sete crianças e sete pratos diferentes.

O ‘Picolé’ do apelido veio do trabalho que Damião exercia paralelamente à função de vigia. “Ele mesmo fazia os picolés em casa, e eram muito bons”, conta o morador de Janaúba.

O antigo vizinho conta que não via Damião há alguns anos, desde que o suspeito pelo atentado deixou a casa da mãe por conflitos com a família, e ambos deixaram de morar na mesma rua. “Não sabemos ao certo, mas entre a vizinhança havia muito boato de atritos entre ele, Cosme e a irmã Simone”, conta.

A reportagem do R7 conseguiu contatar Simone Soares dos Santos na quinta-feira (5), horas depois do atentado, quando o irmão ainda não havia sido identificado oficialmente como suspeito do ataque. Questionada se o conhecia ou se era parente, ela disse que "por ordens superiores", não estava autorizada a falar”.

Para o antigo vizinho, as últimas postagens de Damião nas redes sociais preocupavam. “Eu via aquilo e ficava meio na dúvida… um ‘cara’ que está prestando concurso não sabe nem escrever direito, era umas coisas muito sem nexo que ele escrevia, sem coerência. Eu tentava entender, interpretar o que ele queria dizer com aquelas coisas, mas jamais esperaria algo assim”, conta.

Para ele, a lição que se pode tirar com a tragédia é que as pessoas devem atentar mais às “pessoas caladas assim” como Damião.

“A gente tem que ver o que as pessoas postam… porque essa pessoa pode ser a ponta da flecha para muitas outras. Às vezes tem muito ‘cara’ com problema e tem vontade de fazer esse tipo de coisa, mas ainda não teve coragem para fazer. Esse tipo de atitude contagia os caras, e eles podem tomar a iniciativa… isso pode estimular quem tem problema psicológico”, afirma.

Ele afirma ainda que melhores estruturas físicas, como sistemas automáticos de extinção de incêndio, deveriam ser obrigatórios em creches e escolas, o que poderia ter evitado ou diminuído a tragédia. (Gustavo Basso, do R7)

Olhe link da matéria completa:
http://noticias.r7.com/minas-gerais/autor-de-atentado-era-solitario-e-quis-causar-sofrimento-diz-vizinho-06102017

 

 

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