O CERRADO É DE DAR ÁGUA NA BOCA

Fotos:Reprodução

Todos os frutos do cerrado são deliciosos - têm seu sabor concentrado pela riqueza do solo e o calor do sol. Eles resistem a seca sem perder seu núcleo úmido e alimentício. Preservá-los é o nosso desafio

Quem percorre as poucas áreas de cerrado ainda existentes em nossa região, pode perceber o surgimento das primeiras flores em sua vegetação. O bioma, sem dúvida o mais ameaçado do Brasil, resiste aos incêndios florestais e a expansão das grandes lavouras. Numa pequena faixa de mato ali, noutra acolá, as flores do cajuzinho e da gabiroba se arregalam.
Onde sobrevive, o cerrado guarda paisagens deslumbrantes, centenas de espécies frutíferas e medicinais.
Apesar de não parecer, com suas árvores esparsas e amplas áreas de gramíneas, o cerrado abrange pelo menos cinco ecossistemas e possui uma biodiversidade riquíssima, com mais de 15 mil espécies de plantas e 1.570 espécies de animais já catalogados.

LUTA PELA PRESERVAÇÃO
Apesar da ameaça constante, os recursos naturais do cerrado têm conseguido ter alguns valores reconhecidos, principalmente junto a parte da população que é mais informada e que se preocupa com a conservação do bioma e das comunidades que nele vivem. Em algumas regiões do planalto central brasileiro surgem associações e entidades que estimulam a comercialização de forma sustentável de produtos do cerrado.
Deliciosos e nutritivos, os frutos do cerrado estão cada vez mais sendo incorporados na alimentação do brasileiro, pois são ricos em proteínas, fibras, energia, vitaminas, minerais e ácidos graxos. Eles são consumidos em sua forma natural e de diferentes maneiras, como sucos, polpas, sorvetes, licores, geleias, farinha, bolos, brigadeiros, entre outras delícias.

A Olhaki divulga 11 frutos do cerrado que todo brasileiro deveria conhecer e experimentar:

PEQUI – O pequi é conhecido como ouro do cerrado. O fruto cuja polpa tem coloração amarelo intensa é envolto por um caroço duro com grande quantidade de pequenos espinhos. O fruto pode ser utilizado na fabricação de óleo e licor. O pequi pode ser consumido de várias formas. Geralmente é cozinhado com o arroz e frango.

ARATICUM – O fruto é bastante conhecido pelas populações nativas da região. A polpa da fruta pode ser consumida ao natural ou em batidas, bolos, biscoitos e bolachas, picolés, sorvetes, geleias e em diversos doces.

MANGABA – Com polpa suculenta e ligeiramente leitosa e azedinha, a mangaba é o fruto da mangabeira, árvore típica da caatinga, mas comum também em diversas regiões do cerrado. Normalmente é consumida tanto in natura, como em geleias, compotas, sorvetes e licores.

CAGAITA – A cagaita é uma delícia, mas conforme o próprio nome sugere, não a coma muito madura, aquecida pelo sol, ou em grande quantidade se não quiser passar uma temporada no banheiro. Bastante carnuda e suculenta, a cagaita tem sabor azedinho que lembra o araçá.

GABIROBA – Também conhecida como Guavira. O nome do fruto teve origem na língua tupi-guarani e significa "casca amarga". A fruta pode ser consumida ao natural ou utilizado para fazer doces, sucos, picolés, sorvetes e licores.

JATOBÁ – A polpa dos frutos de jatobá é amarelo-pálida, farináceia, adocicada, comestível e de sabor e aroma característicos. A polpa do Jatobá pode ser consumida ao natural ou sob a forma de mingau, no preparo de bolos, pães e biscoitos, geleia e licor. Bastante utilizada na culinária regional, a farinha do Jatobá-do-cerrado possui elevado conteúdo de fibra alimentar.

GUAPEVA – A fruta é difícil de ser encontrada por conta da devastação cada vez maior do cerrado. Os frutos maduros de guapeva possuem coloração amarela e apresentam polpa esbranquiçada que pode ser utilizada em bebidas, doces e geleias.

MURICI – O muricizeiro é uma árvore típica do cerrado, de baixa estatura e tronco todo retorcido. Seu fruto, o murici, tem polpa carnosa com uma semente só. Possui sabor e aroma muito apreciados, sendo consumido de uma infinidade de formas – in natura, em sucos, geléias, compotas, doces, picolés e até como farinha.

MAMA-CADELA – Também conhecida por mamica-de-cadela, algodão-do-campo, amoreira-do-campo, mururerana, apé, conduru e inhoré, a mama-cadela é um arbusto pequeno muito típico em todo o cerrado. O fruto é todo enrugadinho, com a polpa fibrosa e suculenta, com sabor que lembra o de um coquinho de macaúba. Consumido in natura, é também muito usado em chás e outros tipos de preparação caseiras.

CAJUZINHO-DO-CERRADO – Também conhecido como cajuzinho-do-campo ou cajuí, é um fruto pequeno. É muito consumido in natura e na forma de sucos, doces e geleias. Quando fermentado, fornece uma espécie de aguardente conhecida pelos índios como cauim. As castanhas são consumidas em forma de amêndoas, da mesma forma que o caju comum.

BOCA BOA – Só quem já provou desta fruta pode entender porque seu nome é Boca Boa.
Ao colocar a fruta na boca a primeira sensação que terá é de um amargo que causa arrepios. Isso irá durar alguns segundos e a reação natural será de lançar fora aquela fruta julgando-a ruim, porém, passado esse primeiro momento algo inesperado (para quem não conhece, mas muito esperado para quem já conhece a fruta) acontece: o amargo vai diminuindo lentamente até sumir, e na mesma cadência em que o amargo se desvanece vai surgindo um doce suave que alcança a mesma intensidade do amargo e em muitos casos até mais intenso ainda. É um doce diferente de todas as outras frutas, é sublime.

 

 

 

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