‘Se precisar de reação mais forte para proteger mercados, eu terei’, diz Maggi

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Blairo Maggi: "Comércio é assim, às vezes tem cotovelada. Se tiver de ter uma reação mais forte, farei com toda tranquilidade"

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse na segunda-feira, 20, que teve autorização do presidente Michel Temer para que, se for necessário, endurecer na reação aos países que vierem a bloquear as importações de carne brasileira. "Comércio é assim, às vezes tem cotovelada", comentou, em entrevista concedida no Ministério da Agricultura. "Se tiver de ter uma reação mais forte, farei com toda tranquilidade." Ele acrescentou que, mais cedo, havia pedido permissão a Temer para endurecer se for o caso.

Blairo fez esse comentário ao falar sobre uma hipótese de embargo da carne brasileira pelo Chile (o país fez um comunicado ao Brasil, mas não está clara ainda sua extensão). O ministro lembrou que o Brasil é grande importador de produtos chilenos também. 

No balanço apresentado na segunda-feira, 20, ele disse que a China suspendeu o desembaraço de produtos brasileiros até ter informações adicionais e confirmou que será feita uma teleconferência hoje às 21 horas para prestar esclarecimentos às autoridades chinesas. 

A União Europeia, disse ele, não tomará medidas adicionais à suspensão da compra de carne dos 21 estabelecimentos alvos da Operação Carne Fraca. Desses, 4 exportam para o bloco. A lista divulgada pela Agricultura mostra que, nos últimos 60 dias, BRF e JBS exportaram para lá. Os outros dois não foram informados. 

O Egito também teria informado sobre a possibilidade de restringir a compra do produto brasileiro.

Potencialmente, todos os 33 países que compraram carne dos 21 estabelecimentos alvos da Carne Fraca podem pedir informações, admitiu o ministro. Seria algo natural, comentou. A concretização de uma suspensão total por esses países e blocos econômicos seria um "desastre". "Eu torço, rezo, penso e trabalho para isso não acontecer", afirmou. As reações até o momento têm mostrado que os países, até o momento, têm buscado informações técnicas antes de reagir. "Ontem eu estava preocupadíssimo; hoje estou preocupado", comentou o ministro. 

Desastre
Maggi considerou que os efeitos do embargo à exportação de carne brasileira podem ser desastrosos para a economia do País. "Se todos os países interromperem a importação, será um desastre", disse o ministro, que, no entanto, minimizou os efeitos da operação em relação ao consumo no Brasil. Maggi anunciou um esquema especial de fiscalização para produtores de carne.


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Países que anunciaram embargo respondem por 34% das exportações de carne bovina

Os três países que anunciaram embargo à carne brasileira, juntamente com a União Europeia, responderam por 34,24% das exportações de carne bovina e 20,16% das de frango em 2016. Até agora, China, Chile e Coreia do Sul anunciaram a suspensão da compra de carne brasileira e o bloco europeu suspendeu a compra de quatro empresas.

De acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras de carne bovina congelada, fresca ou refrigerada somaram US$ 4,344 bilhões no ano passado. Principal importador do produto brasileiro, a China respondeu por 16,71% deste total, com gastos de US$ 702,7 milhões.

A União Europeia comprou 11,24% do total, com gastos de US$ 488 141 milhões. Em seguida está o Chile, que ocupa a nona posição no ranking de compradores de carne em geral e importou 6,81% do total vendido ao exterior (US$ 296 milhões). A Coreia do Sul respondeu por apenas 0,01% das exportações de carne bovina, com gastos de US$$ 641 mil.

No caso da carne de frango, o total exportado em 2016 foi de US$ 5,946 bilhões. A China sozinha comprou 14,45% do total, com gastos que somam US$ 859,482 milhões. Já a Coreia do Sul foi responsável por 2,85% das exportações do produto (US$ 165,565 milhões). O bloco europeu comprou 1,97% do total (US$ 117,082 milhões) e o Chile respondeu por apenas 0,88% do total (US$ 52 470 milhões).
 


Se concretizado, embargo para a carne brasileira pode ser de anos

Se concretizado, o fechamento de mercados para a carne brasileira por causa das irregularidades encontradas na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, pode perdurar por anos, disse nesta segunda-feira, 20, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. "No caso da vaca louca, a China embargou por três anos", comentou. Ele disse ainda que, se fosse alguma das 21 empresas citadas na operação, não embarcaria produtos para o exterior.

"Tudo o que estamos fazendo é para evitar esses embargos", explicou o ministro. A estratégia usada para convencer os clientes no exterior é dar todas as informações solicitadas, com toda a transparência. É isso que será feito, por exemplo, na discussão que a Organização Mundial do Comércio (OMC) pretende iniciar nesta terça-feira, 21.

O ministro frisou, porém, que as exportações não são a única preocupação do governo. A cadeia produtora de carne emprega 6 milhões de pessoas, segundo informou. Boa parte delas é de pequenos produtores.

É possível, admitiu ele, que outros países também peçam esclarecimentos ou restrinjam as importações. "Daqui pra frente pode tudo, mas temos os nossos argumentos", disse. Ele repetiu que o sistema de controle sanitário no Brasil é robusto, mas foram encontradas algumas pessoas agindo de forma incorreta.

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