Safra de 2016 será de 186,1 milhões de toneladas (-11,1% ante 2015), diz IBGE

Foto: Reprodução

A estimativa da área a ser colhida pelos produtores agrícolas brasileiros em 2016 é de 57,4 milhões de hectares, uma queda de 0,4% em relação a 2015

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de agosto estima uma safra de 186,1 milhões de toneladas em 2016, um recuo de 11 1% em relação à produção de 2015, quando totalizou 209,4 milhões de toneladas, informou na manhã desta terça-feira, 6, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O montante ainda foi 1,5% menor que o previsto em julho, que era de 189 milhões de toneladas, com 2,8 milhões de toneladas a menos.

A estimativa da área a ser colhida pelos produtores agrícolas brasileiros em 2016 é de 57,4 milhões de hectares, uma queda de 0,4% em relação a 2015, quando foi de 57,6 milhões de hectares.

Em relação à estimativa de julho, a área decresceu 226,8 mil hectares e a produção se reduziu em 1,5%, informa o IBGE. Arroz, milho e soja – os três principais produtos da safra nacional – responderam por 92,6% da estimativa de produção e por 87,8% da área a ser colhida.

Em relação a 2015, houve acréscimo de 3,0% na área colhida da soja e reduções de 1,3% na área do milho e de 9,8% na área do arroz. Quanto à produção, a estimativa aponta quedas de 0,8% para a soja, 14,9% para o arroz e 23,4% para o milho.

Conab
A produção brasileira de grãos da safra 2015/16 deve ser de 186 4 milhões de toneladas, o que corresponde a uma queda de 10,3%, ou 21,4 milhões de toneladas, em relação à safra anterior, que foi de 207,8 milhões. Os números fazem parte do 12º e último levantamento da safra 2015/2016 de grãos, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), também divulgados nesta terça-feira.

Com exceção das culturas de inverno e amendoim, houve queda na produção dos demais grãos por causa das adversidades climáticas, como estiagens prolongadas e altas temperaturas durante o ciclo, informam os técnicos da Conab, em comunicado.

A produção da soja, principal cultura agrícola, encolheu 0,8%, passando de 96,2 para 95,4 milhões de toneladas. 

A primeira safra de milho deve cair 14,1%, para 25,85 milhões de t. A segundo safra do cereal, de inverno, está estimada em 41,13 milhões de t, queda de 24,7% ante a safra 2014/15. Com isso, o milho total deve apresentar redução de 20,9%, atingindo cerca de 66,98 milhões de toneladas ante período anterior (68,58 milhões de t). 

A safra de algodão em pluma deve alcançar 1,29 milhão de t, o que corresponde a uma queda de 17,5% em relação à safra anterior. A produção de arroz deve registrar baixa de 14,8%, para 10,60 milhões de t.

Com relação à safra de feijão, a cada ano são cultivadas três safras, a produção total deve atingir 2,51 milhões de t, queda de 21,6%.

Segundo a Conab, o trigo, principal cultura de inverno, deve manter o crescimento de produção, subindo 11,4% e alcançando 6,2 milhões de toneladas, mesmo com uma área 14,4% menor. 

A safra 2015/16 deve registrar área de plantio de 58,3 milhões de hectares, com um aumento de 0,7% ou de 397,1 frente à safra passada, projeta a Conab. A soja, que responde por 57,12% da área cultivada do País, é a grande responsável por esse aumento, informa a companhia. O acréscimo é de 3,6%, passando de 32,1 milhões de ha para 33,2 milhões na safra atual.


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16 de 26 produtos apresentam queda na estimativa de safra ante 2015, diz IBGE

Dentre os 26 principais produtos avaliados no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas dez apresentaram alta na estimativa de produção em relação ao ano anterior. Os principais destaques positivos foram cevada em grão, com alta de 54,1%; aveia em grão, com 46,5%; triticale em grão, com 20,5% e café em grão arábica, com 19,7%. 

Amendoim em casca primeira e segunda safra, batata-inglesa primeira safra, cebola, mamona em baga e trigo em grão também apresentaram alta. 

Os 16 produtos com variação negativa na produção foram: algodão herbáceo em caroço (-18,5%), arroz em casca (-14,9%), batata-inglesa 2ª safra (-4,3%), batata-inglesa 3ª safra (-2,3%) %), cacau em amêndoa (-4,6%), café em grão canephora (conilon) (-26,6%); cana-de-açúcar (-1,8%), feijão em grão 1ª safra (-15 8%), feijão em grão 2ª safra (-14,9%), feijão em grão 3ª safra (-0,5%), laranja (-3,2%), mandioca (-2,1%), milho em grão 1ª safra (-16,1%), milho em grão 2ª safra (-27,3%), soja em grão (-0,8%) e sorgo em grão (-43,4%).

Fator climático
O fator climático é um dos principais responsáveis pela queda nas estimativas da produção agrícola brasileira, de acordo com o IBGE. "O clima foi piorando. Os únicos meses em que podemos dizer que houve chuva em abundância foram dezembro e janeiro, que pegaram a cultura na fase de desenvolvimento ainda", afirmou o gerente do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, Carlos Alfredo Guedes. 

Segundo ele, durante o período com melhores níveis de chuva, algumas culturas já estavam em fase final de desenvolvimento, como foi o caso do milho que, posteriormente, enfrentou um período de seca. "(Em janeiro) você pega o milho em fase de desenvolvimento das espigas. Depois, em fevereiro, março, abril, o clima foi só piorando. Chegou o inverno, quando geralmente chove pouco, e neste ano choveu menos ainda", comentou.

A estimativa de agosto para a produção anual é de 186,1 milhões de toneladas, 11,1% menor do que as 209,4 milhões de toneladas registradas em 2015. Porém, a estimativa de área colhida é bem próxima: 57,4 milhões de hectares em 2016 ante 57,6 milhões de hectares em 2015. Segundo Guedes, essa relação deixa claro que a explicação para a queda na produção está "justamente na estiagem". 

Milho
Uma das principais explicações para a queda de 11,1% nas estimativas da produção nacional agrícola em 2016 em relação ao ano passado é o recuo na safra de milho. No mês de agosto, o produto apresentou queda de 16,1% nas estimativas da produção da primeira safra em relação a 2015, e na segunda safra a redução foi ainda maior: 27,3%. Na passagem de julho para agosto, o recuo foi de -2,3% na primeira safra e de -4,6% na segunda, conforme informou o IBGE. 

A baixa na colheita do cereal está relacionada principalmente aos fatores climáticos. "Começamos em janeiro com 80 milhões de toneladas estimada em 2016, subiu um pouco com as chuvas de dezembro e janeiro, tínhamos estimativa até março positiva. Depois, com a seca, as estimativas foram caindo. Hoje esperamos 65,5 milhões de toneladas", explica Guedes.

Segundo Guedes, o prejuízo não é tão grande para os produtores porque, com a queda na produção, o preço aumenta. "O prejuízo só não é maior porque o preço está bom. Você perde em quantidade, mas ganha em preço. Há um ano, a saca de 60 kg era comercializada a R$ 20, e este ano está entre R$ 40 e R$ 45", afirmou.

O impacto da alta dos preços, porém, pode ser negativo, já que existe uma relação entre o valor do milho com o de outros produtos. "O milho é usado pra muitas coisas. Na ração de frango de suínos, de bovinos de leite. Então, gera um impacto em outros ramos, que a população já tem sentido", explicou.

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