Roraima atualiza para 31 o número de mortos em massacre, 4 foram identificados

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A Penitenciária Agrícola de Monte Cristo abriga 1.398 detentos, mas a capacidade é de apenas 750

A Secretaria de Justiça e Cidadania de Roraima (Sejuc) informou na tarde desta sexta-feira, 6, que, após perícia, foi constatado que 31 presos morreram no massacre na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista – e não 33, como inicialmente informado. 

De acordo com a Sejuc, do total de 31 mortos, 22 corpos passaram pela perícia no Instituto Médico Legal e, até o início da noite desta sexta, quatro foram identificados e liberados para as famílias. 

Ainda de acordo com a Sejuc, 12 pessoas trabalham na identificação das vítimas – seis peritos (médicos legistas e odontolegistas) e seis auxiliares de necropsia.


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Presídios de Roraima atendem quase o dobro da capacidade

O sistema prisional de Roraima, que conta com 17 presídios, tem atualmente um déficit de 942 vagas. Incluindo os presos que estão em delegacias, há 2.144 detentos em Roraima, ante 1.202 vagas. 

A Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, que registrou 31 mortos nesta sexta-feira, 6, abriga a grande maioria dos presos – há 1.398 detentos no local, mas a capacidade é de apenas 750. Já a Penitenciária Feminina de Monte Cristo tem outros 116. 

O segundo estabelecimento com mais presos é a Cadeia Pública de Boa vista, com 301 detentos. Os dados foram extraídos da radiografia do sistema prisional feita pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Na última semana de dezembro, o governo do Estado anunciou a construção de um presídio de segurança máxima, com previsão de iniciar as obras neste ano. O governo federal já liberou ao menos R$ 46 milhões para o Estado. A unidade ficará em um terreno atrás da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, com capacidade para atender 393 pessoas.

O governo estadual também prevê retomar as obras do anexo da Cadeia Pública de Boa Vista e do presídio de Rorainópolis, com mais 700 vagas em todo o Estado.


Massacre em RR foi 'acerto interno de contas' do PCC, diz Moraes

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, negou nesta sexta-feira, 6, que o sistema prisional brasileiro vive uma guerra entre facções rivais e que a situação tenha saído do controle após um novo massacre na Penitenciária Agrícola de Boa Vista, em Roraima, que deixou 31 de mortos. 

"A situação dos presídios não saiu do controle. é outra situação difícil em Roraima. Roraima já tinha tido problemas anteriormente", disse.

Para o ministro, o episódio ocorrido nesta sexta-feira não é "aparentemente" uma retaliação do Primeiro Comando da Capital (PCC) à Família do Norte, autor do massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus.

Em entrevista a uma rádio local, o secretário de Justiça e Cidadania de Roraima, Uziel de Castro Júnior, disse acreditar que os crimes tenham sido cometidos por membros do PCC como vingança pelas 56 mortes ocorridas em Manaus realizadas pela Família do Norte, que tem ligações com o Comando Vermelho.

No início da semana, Moraes disse acreditar que o massacre em Manaus não se tratava simplesmente de uma guerra entre facções rivais e que não haveria retaliação do PCC. 

As declarações de Moraes foram dadas durante a apresentação do plano nacional de segurança elaborado pelo governo federal nesta sexta. Antes do início das perguntas de jornalistas, ele falou por cerca de duas horas sobre os detalhes das medidas, mas não mencionou o episódio ocorrido na madrugada desta sexta em Boa Vista.

Segundo ele, o diferencial do plano será justamente a cooperação com todos os Estados para solucionar esses problemas.


Governo de RR diz que mortos não tinham ligação com facções criminosas

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 6, em Roraima, o secretário de Justiça e Cidadania, Uziel Castro, afirmou que os presos mortos durante a chacina promovida pelos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) não tinham ligação com o crime organizado. Segundo Castro, as mortes não foram decorrência de um confronto entre facções, mas "uma ação isolada de membros do PCC contra pessoas que não eram ligadas a nenhuma facção".

Ele contou que a chacina foi previamente planejada, mas disse que os órgãos de inteligência não haviam detectado indícios que ela ocorreria.

"Foram três frentes de homicídios contra vítimas sem ligações com facções. Presos do regime fechado mataram presos do mesmo regime, assim como os preventivados e os que estavam na ala de segurança se mataram entre eles". 

Nenhum órgão de inteligência detectou a matança, segundo o secretário, e o que teria ocorrido foi uma ação isolada. "Foi uma barbaridade contra presos comuns, e não entendemos o motivo. Não tem justificativa nem fundamentos, e a princípio, seriam 33 mortes de pessoas que não pertencem a organização criminosa". Ele informou que os presos integrantes de facção foram separados no dia 3 de novembro e que os que se declararam do Comando Vermelho estão na cadeia pública, onde não houve rebelião. "Separamos os presos por facções, além de estarmos preparados para evitar fugas. Fazemos revistas constantes, foram feitas varreduras onde encontramos armas e até pólvora e tudo foi apreendido. As armas usadas na chacina são artesanais que eles utilizam feitas lá dentro mesmo com sobra de material de construção da reforma do presídio".

A secretaria ainda não informou quem são os mortos e deu o prazo até este sábado, 7, para divulgar os nomes dos principais envolvidos.

Reforma
O secretário anunciou uma reforma no presídio que deve começar de forma imediata e disse que as péssimas condições do sistema carcerário não são segredo para ninguém. "A governadora determinou a alocação de recursos para a reforma que já foi licitada. Algumas empresas participaram da licitação e estão se discutindo valores. Creio que no início de ano começaremos as reformas", explicou Castro acrescentando que em 70 dias será entregue um módulo para acomodar 140 detentos perigosos. "A empresa do Rio Grande do Sul que fará a construção do novo presídio está deslocando contêineres para construir os blocos e em 20 dias chega em Roraima".


Moraes apresenta plano de segurança há mais de 2h e não menciona novo massacre

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, está há mais de duas horas apresentando os detalhes do plano nacional de segurança elaborado pelo governo e, até agora, não fez nenhum comentário sobre o novo massacre em Roraima desta sexta-feira, em que 31 presos foram mortos. 

Em sua apresentação, ele fez críticas ao sistema prisional do País e classificou o massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, de "barbáries". "Sistema penitenciário não é ruim de agora. Isso não é algo que se melhora de um dia para outro. Não é passe de mágica", disse.


'Até 2018, queremos uma redução de superlotação nos presídios em 15%', diz Moraes

O Ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, anunciou algumas das metas que o governo pretende alcançar com a implementação do Plano Nacional de Segurança Pública detalhado por ele nesta sexta-feira, 6. "Até 2018, queremos uma redução de superlotação nos presídios em 15%. O Plano também prevê redução anual de 7,5% nos homicídios dolosos nos municípios" ressaltou.

Em relação ao combate ao crime organizado, a intenção do governo federal é de aumentar em 10% o número de apreensão de armas e drogas até o final do ano. O porcentual estabelecido para 2018, é de um acréscimo de 15% nas apreensões.

"A metas podem sofrer alterações até a assinatura, mas é o que está sendo analisado. Todos os governadores devem assinar (o plano) junto com o presidente da República", disse Moraes. 

Medidas alternativas
O ministro da Justiça e Cidadania defendeu a adoção de medidas alternativas para os presos provisórios que tenham cometido crimes considerados de menor gravidade. Na análise do ministro, a prisão desses criminosos contribuiu para a superlotação registrada hoje nos estabelecimentos prisionais e cooptação. 

"Grande parte dos presos provisórios não precisa estar na prisão. Temos de parar de entregar soldados ao crime organizado" afirmou Moraes. 

Em sua apresentação, ele fez críticas ao sistema prisional do País e classificou o massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, de "barbárie". "Sistema penitenciário não é ruim de agora. Isso não é algo que se melhora de um dia para outro. Não é passe de mágica", disse.

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