Reabertura da China não vale para os 21 frigoríficos sob suspeita

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A decisão pela retomada da compra do produto nacional por Egito e Chile ocorre logo depois da China também ter resolvido liberar as importações da carne brasileira

O Ministério da Agricultura esclareceu no sábado (25), por meio de sua assessoria, que a reabertura da China à carne brasileira só não vale para os 21 frigoríficos sob suspeita, que estão sendo investigados pela Carne Fraca da Polícia Federal. Além disso, a pasta lembrou que o ministro Blairo Maggi já havia determinado a cassação do certificado de exportação desses frigoríficos. A entrada de cargas liberadas pelos fiscais acusados de corrupção e com origem de uma planta da JBS em Lapa, no Paraná (SIF 530), que está na lista dos 21 estabelecimentos, também segue proibida na China.

Mais cedo, o ministro confirmou ao Estado que a China reabriu o mercado para importação de carne brasileira. Ele avaliou que essa decisão é um ponto de inflexão na crise aberta após as revelações da operação. Em nota, Maggi também disse que a reabertura ao mercado brasileiro é um atestado categórico da solidez e qualidade do sistema sanitário brasileiro e da vitória da capacidade exportadora do País. "A China nunca fechou o mercado aos nossos produtos, mas apenas tomou medidas preventivas para que tivéssemos a oportunidade de oferecer todas as explicações necessárias e garantir a qualidade da nossa inspeção sanitária", disse.


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Blairo Maggi confirma reabertura de mercado chinês para carne brasileira

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, confirmou no sábado (25) que a China reabriu o mercado para importação de carne brasileira. Ele avaliou que essa decisão é um ponto de inflexão na crise aberta após as revelações da operação Carne Fraca, da Polícia Federal. 

Segue a breve entrevista concedida com exclusividade ao Estado.

Estado – Ministro, a China reabriu para o Brasil com restrições?

Maggi – A única restrição que vamos ter lá é o SIF 530 (planta da JBS na Lapa, Paraná). E também algumas cargas que foram assinadas por essas pessoas que estão sendo investigadas. São sete fiscais que têm problema, e todas as cargas que eles assinaram estão suspensas. O resto está liberado.

Estado – Chegamos a um ponto de inflexão? 

Maggi – Chegamos. Aquela era uma batalha bem importante. Acho que Hong Kong, como é um entreposto, tem muito mercado com China. Se China nos liberou, não tem porque eles nos manterem (suspensos) lá. Foi importante todo o trabalho que foi feito esta semana.

Estado – E agora? 

Maggi – Respiro aliviado. Vamos atrás dos mercados que ainda não retomaram. Vamos dar uma atenção especial a todos eles.


Governo informa que Egito e Chile decidiram normalizar importações de carne

O governo brasileiro distribuiu no sábado (25) nota oficial para informar "que os governos do Egito e do Chile, importantes parceiros comerciais, decidiram normalizar as importações de carne do Brasil após receberem todos os esclarecimentos e as informações técnicas transmitidas pelas autoridades competentes brasileiras". A nota é assinada pelo presidente Michel Temer e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. 

A decisão pela retomada da compra do produto nacional por Egito e Chile ocorre logo depois da China também ter resolvido liberar as importações da carne brasileira, com exceção das cargas relacionadas aos 21 frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca da Polícia Federal. A reabertura do mercado chinês começa nesta segunda-feira. 

Segundo a nota de Temer e Maggi, "o Ministério da Agricultura do Egito declarou oficialmente ter certeza da qualidade da carne brasileira após exames realizados por três diferentes órgãos governamentais, que atestaram também que a produção de frango e carne bovina no Brasil está de acordo com as leis islâmicas".

O governo do Brasil confirmou ainda a informação publicada mais cedo pela Agência Estado de que o Serviço Agrícola e Pecuário do Chile (Servicio Agrícola y Ganadero) decidiu retirar o embargo às exportações brasileiras de carne. A suspensão imposta pelo Chile permanece restrita apenas às carnes bovinas, suínas e de aves das 21 unidades envolvidas na operação. 

"As medidas anunciadas pelos governos do Egito e do Chile corroboram a confiança da comunidade internacional no nosso sistema de controle sanitário, que é robusto e reconhecido mundialmente", cita a nota.

"Ao agradecer por esse gesto de confiança e amizade, o governo brasileiro renova seu interesse em reforçar ainda mais os laços históricos mantidos com ambos os países e reafirma sua inequívoca disposição em seguir transmitindo a nossos parceiros comerciais ao redor do mundo todas as informações sobre a segurança dos alimentos produzidos no Brasil", acrescenta.


Mostramos que operação da PF é sobre corrupção e não sobre qualidade, diz Maggi

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, comemorou no sábado (25) em Cuiabá (MT) a decisão de China, Egito e Chile de terem retirado o embargo a carne brasileira. Reforçando palavras de um comunicado divulgado mais cedo, o ministro afirmou que a retomada das importações pelos países que haviam suspendido a compra é um atestado categórico da qualidade do sistema sanitário brasileiro.

Segundo ele, na segunda-feira (27) a China deve começar a "fazer o desembaraço". O ministro tomou conhecimento do fim da suspensão imposta pela China na madrugada. No caso do Egito, Maggi soube da liberação na manhã deste sábado (25), assim como da decisão do Chile. Vale notar que a reabertura à carne brasileira só não vale para os 21 frigoríficos sob suspeitas, que inclui as cargas com origem de uma planta da JBS em Lapa, no Paraná (SIF 530).

"Nós conseguimos mostrar que a operação da PF se trata de investigações sobre corrupção e atos ilícitos das pessoas e não sobre a qualidade sanitária da carne brasileira" e que "em nenhum momento foi investigado a qualidade da carne e eles entenderam isso", disse o ministro.

"Havia uma missão do Egito na semana passada aqui com negociações para atender o exército do Egito, que previa três plantas trabalhando em tempo integral só para atender esse mercado. Espero que essa negociação seja retomada agora", disse em entrevista à TV Bandeirantes.

Sobre a visita do secretário geral da Comunicado Europeia, Maggi disse que reforçará a qualidade dos procedimentos e disse que o auto embargo estabelecido pelo governo brasileiro dos 21 frigoríficos foi "importante para mostrar à Comunidade Europeia que nossos procedimento são corretos".

Na segunda-feira (27) o ministro deve apresentar um relatório preliminar sobre as medidas tomadas até agora e destacou em entrevista a Globo que a interdição de planta frigorífica por não seguir normas técnicas sobre misturas de produtos, como salsichas e linguiças. "Em três semanas quero entregar à população brasileira raio X completo sobre as 21 plantas em investigação", avisou.

Viagem
Após resolver as questões emergenciais, surgidas em razão das investigações da PF, Maggi vai visitar alguns mercados. "Quero ir à China e a vários países compradores dos nossos produtos. Vou junto com uma missão especial para restabelecer a confiança que tínhamos até agora." No roteiro da viagem, estão Emirados Árabes, Kuwait, Arábia Saudita, Rússia, China e Hong Kong. Ele também pretende visitar representantes da Comunidade Europeia.

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