Mulheres são as principais vítimas do tráfico humano

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O país onde foi registrada uma incidência maior de brasileiras vítimas de tráfico de pessoas foi o Suriname, com 133 vítimas, seguido da Suíça, com 127, da Espanha, com 104 e da Holanda, com 71

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Dia Internacional da Mulher é momento para refletir sobre tráfico de pessoas e exploração sexual, alerta especialista. O problema é grave no Brasil. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), apontam que o tráfico de pessoas é uma das atividades criminosas mais lucrativas do mundo, envolvendo cerca de 2,5 milhões de vítimas e movimenta aproximadamente U$ 32 bilhões por ano. De acordo com o Relatório Nacional Sobre Tráfico de Pessoas, realizado pelo Ministério da Justiça, indica que entre os anos de 2005 e 2011, foram identificados 337 casos de brasileiros vítimas de tráfico para fins de exploração sexual. O país onde foi registrada uma incidência maior de brasileiras vítimas de tráfico de pessoas foi o Suriname, com 133 vítimas, seguido da Suíça, com 127, da Espanha, com 104 e da Holanda, com 71. A coordenadora do Curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina (FASM), Rita Do Val, relata que entre os motivos que favorecem o aliciamento de meninas e mulheres, são a desigualdade, pobreza e o número de rotas de tráfico de pessoas.

A faixa etária de maior incidência do tráfico internacional de pessoas é entre 10 e 29 anos. Isto quer dizer que os aliciadores têm preferência por crianças e adolescentes, o que é alarmante, afirma Rita. 

"Para evitar ser vítima desse tipo de crime, alguns cuidados são fundamentais, como analisar as propostas de emprego, buscando informações sobre o contratante, não acreditar em casamentos arranjados por agências e sempre avisar o maior número de pessoas sobre a viagem, o local de destino, endereço e informações sobre os contratantes. É importante viajar com o passaporte e uma cópia autenticada, que deve ser guardada em separado do original e não permitir que outras pessoas guardem documentos pessoais ou dinheiro", recomenda a especialista.

O professor de psicologia da FASM, Breno Rosostolato, explica que todos os casos de exploração sexual são crimes previstos em código penal, e as vítimas deste mercado sexual ficam à mercê dos exploradores, contraindo dívidas exorbitantes. Em consequência disso, sofrem ameaças que alimentam um cárcere psicológico, além de físico 

O psicólogo alerta que para combater estas práticas, é necessário ampliar a cooperação entre órgãos policiais de todos os países, além de instituir medidas que ultrapassem ações discretas e repressivas, como orientação à sociedade e comunidades marginalizadas. "Outra ação importante é traçar o mapa de onde se concentram essas práticas de trabalho escravo e exploração sexual, mobilizar a população sobre a calamidade que toma conta da vida de pessoas que são corrompidas e têm sua dignidade e liberdade esfaceladas".

O Brasil integra uma rede internacional de combate ao tráfico de mulheres e uma das ferramentas é o Ligue 180 Internacional. O sistema foi criado em novembro de 2011, atende atualmente 15 países: Espanha, Itália, Portugal, França, Estados Unidos, Inglaterra, Noruega, Guiana Francesa, Argentina, Uruguai, Paraguai, Holanda, Suíça, Venezuela, Bélgica e Luxemburgo.

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