‘Minhas motivações não são partidárias’, diz Moro a empresários

Foto: Reprodução

Sergio Moro: "E quais são as nossas alternativas? Varrer para debaixo do tapete ou enfrentar esse problema”.

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato, afirmou nesta quarta-feira, 9, em Curitiba que as investigações não são responsáveis pela crise que vive o Brasil e negou ter coloração partidária.

"As motivações minhas não são partidárias. Nenhuma, zero, zero ligação com partidos ou pessoas ligadas a partidos", afirmou Moro.

O juiz disse ler tanta "bobagem publicada". "Outro dia vi publicado que meu pai era fundador do PSDB em Maringá. Meu pai é falecido, professor de geografia, a pessoa mais honesta que eu conheci na vida e nunca teve relação nenhuma com partido. Isso chateia."

Moro participou na noite desta quarta-feira, 9, de uma palestra no grupo de empresários LIDE Paraná, grupo de líderes empresariais. O tema do evento era "Empresas e Corrupção".

Desde que autorizou a deflagração da Operação Aletheia que pegou o ex-presidente Lula na sexta-feira, 4, Moro tem sido alvo de pesadas críticas de aliados do ex-presidente. Até a presidente Dilma atacou a Lava Jato e manifestou solidariedade a Lula.

O juiz da Lava Jato afirmou estar "consternado com o quadro econômico" do País. "Mas acho que a culpa não é da Lava Jato."

O magistrado afirmou aos empresários presentes que há "indicativos de um quadro de corrupção sistêmico" no Brasil.

"E quais são as nossas alternativas? Varrer para debaixo do tapete ou enfrentar esse problema", afirmou Moro.

O juiz disse que "é preciso trabalhar contra o quadro de corrupção sistêmico". "E isso é bom em todos os sentidos."


LEIA MAIS…
Para maior entidade de juízes, processo disciplinar contra Moro 'é inadmissível'

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), maior e mais influente entidade de juízes do País, considera "inadmissível" a iniciativa do Sindicato dos Advogados de São Paulo em protocolar pedido de processo disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz Sérgio Moro, que preside a Operação Lava Jato.

Para a AMB, o Conselho Nacional de Justiça não pode ser encarado como uma "instância recursal ou como caminho para cercear a autonomia da magistratura".

"Tal medida evidencia mais uma forma de intimidação dos juízes em suas atividades estritamente jurisdicionais e indica possível tentativa de impedimento à atuação do juiz que está à frente das investigações da Lava Jato."

A representação disciplinar foi requerida pelo advogado Roberto Teixeira, que coordena o núcleo de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o Sindicato dos Advogados, o juiz da Lava Jato teria insinuado que Roberto Teixeira forjou a escritura do sítio Santa Bárbara, localizado em Atibaia, interior de São Paulo – a propriedade seria do ex-presidente, o que é negado por seus defensores.

Em nota pública, assinada por seu presidente, João Ricardo Costa a AMB destacou: "A magistratura brasileira reafirma a sua confiança nas instituições, sobretudo no Poder Judiciário, e reitera que não se furtará diante de ações e manobras que venham a tentar paralisar o trabalho dos juízes no combate à corrupção."

Compartilhar: