Maggi: governo foi surpreendido pela forma como operação da PF foi apresentada

FOTO: VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL

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O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse nesta quarta-feira, 22, que o governo foi surpreendido com a deflagração da Operação Carne Fraca, pela Polícia Federal, ocorrida na sexta-feira passada, 17. "Não temos de defender ninguém que fez coisa errada e em nenhum momento questionamos a ação da Polícia Federal", disse o ministro. "Mas, da forma como foi apresentada à população brasileira, fomos pegos de surpresa." Ele acrescentou que houve uma certa perplexidade. "Não era possível que, depois de tanto trabalho, fôssemos pegos de calças curtas", afirmou ele, que participa de audiência conjunta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), no senado. 

Conforme Maggi, a estratégia acertada com o presidente Michel Temer, foi fazer um enfrentamento "claro, direto, transparente, eficiente e rápido para atacar os problemas que temos no momento".

Ele relatou aos senadores que o Brasil suspendeu as exportações de produtos dos 21 estabelecimentos que foram alvo da operação. Para o ministro, é natural que os países compradores reajam com alguma limitação nas importações. Os principais focos de preocupação, no momento, são China e Hong Kong, grandes mercados para os produtos brasileiros.

Maggi estimou que a operação causará prejuízos da ordem de 10% nas exportações brasileiras, que somaram US$ 15 bilhões no ano passado.

O ministro voltou a defender o sistema de controle sanitário do Brasil e afirmou que os problemas encontrados são pontuais. Ele salientou que o governo brasileiro tem informado os países consumidores sobre as providências adotadas pelo País. E que foi "muito bem recebida" a manifestação brasileira na reunião de hoje da Organização Mundial do Comércio (OMC) que discutiu o problema.


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Redução nas exportações de carnes já começa a prejudicar produtores, diz Maggi

A queda nas exportações em decorrência da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal (PF), começa a afetar a produção, disse nesta quarta-feira, 22, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Ele declarou ter conversado com alguns produtores que relataram, por exemplo, que os frigoríficos que processam carne bovina pararam suas compras, diante das incertezas sobre os embarques para mercados como a União Europeia e a China. 

No mercado de suínos, compras de carne para processar que normalmente são feitas às segundas foram adiadas para quarta ou quinta-feira. 

Por isso, há pressa no destravamento das exportações, pois o ciclo de produção de carnes é curto e não há como adiar por muitos dias os abates do animais. Além disso, há problemas de armazenagem do produto. 

Maggi disse ter recebido ontem a boa notícia de que o Japão restringirá sua limitação de compra aos 21 estabelecimentos alvos da operação da PF. Esses estabelecimentos, de toda forma, já estão impedidos de exportar por decisão do próprio governo brasileiro, que não tem emitido licenças de exportação. 

"Quero crer que estamos indo por um bom caminho", disse o ministro. "Falta um posicionamento definitivo da Comunidade Europeia e da China. Resolvidos esses dois assuntos, podemos respirar um pouco." 

O ministro disse que pretende viajar aos principais mercados para dar garantias, "olho no olho".


Maggi: média diária de embarque de carnes caiu de US$ 63 milhões para US$ 74 mil

Sob o impacto da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal (PF), as exportações de carnes brasileira caíram drasticamente, segundo dados apresentados nesta quarta-feira, 22, pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que realiza audiência conjunta com a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). As exportações caíram de US$ 63 milhões na média diária para apenas US$ 74 mil na terça. "A gente não sabe o tamanho da pancada que vai levar", disse ele aos senadores.

Também presente à reunião, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Pereira, relatou que o Brasil exportou US$ 13,5 bilhões em carnes no ano passado. O Brasil é o maior exportador de carne de frango e bovina, e o quarto fornecedor mundial de carne suína. 

Irregularidades
O ministro da Agricultura admitiu ter ouvido rumores sobre irregularidades na superintendência da pasta no Paraná. "Quando cheguei no ministério, sim, havia comentários", disse, respondendo a questionamento dos senadores Gleisi Hoffman (PT-PR) e Lasier Martins (PSD-RS). "Fui para o Paraná várias vezes, perguntei sobre o comportamento do superintendente", declarou ele na audiência conjunta. 

Quando há denúncias de irregularidades, disse ele, é aberta uma investigação interna, um processo administrativo. "Nem sempre são na velocidade que gostaríamos, porque o corpo de funcionários conduz de forma diferente de uma operação policial, que não tem preocupação se um amigo será prejudicado", relatou. 

Maggi explicou que existe, nas superintendências, uma "guerra fratricida" entre grupos. "Pressão política, claro que existe", ressaltou. Ele acrescentou que Gleisi, já tendo exercido a chefia da Casa Civil, "sabe como são os procedimentos, como isso acaba acontecendo".

Maggi se recusou a responder ao questionamento da senadora sobre por que o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, continua no cargo mesmo após ter sido apontado como o "epicentro" da operação. 

O ministro informou que o problema hoje está restrito ao Paraná e Goiás. "Mas as investigações vão continuar", garantiu. "Não vai parar porque a gente achou que foi comunicada da forma errada. Agora, é esperar o que vem para frente."

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