Mãe de Eliza Samudio recorre contra soltura de ex-goleiro Bruno

FOTOS: REPRODUÇÃO

Bruno foi condenado a 22 anos e três meses pelo sequestro cárcere privado, assassinato e ocultação de cadáver de Eliza. Até o momento, cumpriu seis anos e sete meses da pena

A mãe de Eliza Samudio, Sônia de Fátima Moura, entrou com recurso contra decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que permitiu a saída da prisão do goleiro Bruno. O jogador deixou a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac), em Santa Luzia, na Grande Belo Horizonte, no último dia 24, por força de habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio Mello. Bruno foi condenado a 22 anos e três meses pelo sequestro cárcere privado, assassinato e ocultação de cadáver de Eliza, ex-amante do goleiro. Até o momento, cumpriu seis anos e sete meses da pena. O filho de Eliza, que também se chama Bruno, de sete anos, mora com Sônia de Fátima em Campo Grande. À época em que o jogador foi preso, Eliza discutia com o goleiro pagamento de pensão para o filho.

A defesa do atleta afirmou ter ocorrido movimentação no processo que envolve o habeas corpus, mas que não seria possível confirmar o teor da petição. "A análise (do documento)será feita nessa segunda-feira, 6", disse um dos advogados do goleiro, Luan Veloso Coutinho. Por ter sido concedido de forma monocrática, a decisão do ministro Marco Aurélio ainda pode ser revista no momento em que chegar ao Pleno do STF, o que ainda não tem data para ocorrer. A reportagem não conseguiu contato com a família de Eliza Samudio.

Para justificar o habeas corpus, o ministro Marco Aurélio alegou que um recurso impetrado pela defesa do goleiro está parado no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) desde 2013. Na decisão, o ministro afirma que "a esta altura, sem culpa formada o paciente está preso há seis anos e sete meses" e que "nada, absolutamente nada, justifica tal fato. A complexidade do processo pode conduzir ao atraso na apreciação da apelação, mas jamais à projeção, no tempo, de custódia que se tem com a natureza de provisória". Acionado desde a saída do goleiro da prisão, o TJ não informa os motivos pelos quais o recurso ainda não foi julgado.

Bruno, que foi campeão brasileiro pelo Flamengo em 2009, foi preso em 2010. O corpo de Eliza Samudio nunca foi encontrado. O julgamento ocorreu em 2013. A defesa afirma que o goleiro teria pelo menos dez propostas de clubes para voltar a jogar futebol. Dois deles, Chapecoense e Bangu, no entanto, negaram ontem, 4, interesse em ter o goleiro em seus quadros.


LEIA MAIS…
ONG lança petição para impedir clubes de contratarem goleiro Bruno

Em quatro dias, mais de 20 mil pessoas apoiaram um abaixo-assinado para que o goleiro Bruno não volte a jogar futebol profissionalmente. O texto foi lançado por Vanuzia Leite Lopes, também conhecida como Vana Lopes, fundadora da ONG Somos Todos Vítimas Unidas, e tem apoio de Sonia Fatima Moura, mãe de Eliza Samudio. A atriz Letícia Sabatella também já assinou a petição. Segundo Elizandra Moura, irmã do padrasto de Eliza, Sonia está "sem chão" e "muito abalada" com a situação, que era inesperada, além de estar temerosa com o que pode ocorrer com o neto. 

O abaixo-assinado defende que o ex-jogador seja impedido de atuar no esporte e de requerer a guarda do filho que teve com a modelo Eliza Samudio, que também se chama Bruno, de sete anos. "Jogadores são vistos como ídolos, e esse tipo de exemplo não pode ser aceito para nossos filhos. Não aceitamos esse símbolo da morte visitando nossas casas nos domingos. Agora basta ser goleiro para cometer um crime e depois ser aplaudido?", disse Vana à reportagem.

Segundo Vana, a petição não é contrária à reintegração social de Bruno desde que ele demonstre arrependimento pelo crime e que cumpra a pena de 22 anos de prisão. "A vida de uma filha não vale só seis, sete anos. Não achamos que ele deva ter uma segunda chance no futebol agora. Vários goleiros estão precisando de uma primeira chance. Esperamos que antes ele tenha pelo menos um pingo de dignidade de dizer o que aconteceu com o corpo da Eliza, ele precisa dar isso para a família dela", defende.

A ONG Somos Todos Vítimas Unidas foi fundada há cerca de quatro anos como resultado das mobilizações de Vana, que havia criado uma rede para reunir informações sobre o médico Roger Abdelmassih, do qual foi uma das vítimas e que esteve foragido entre 2011 e 2014 após ter recebido um habeas corpus. Ela não acredita que Bruno possa fugir do país, mas diz que a decisão do ministro Marco Aurélio Melo é "imoral".

Na primeira postagem da fundadora da ONG sobre a petição, Sonia a mãe de Eliza, agradeceu o apoio e comentou sobre a situação. "Isso tudo é para se vingar de mim, pois a minha advogada ajudou na condenação dele, e para ele não pagar a pensão; sabe que vou sofrer com isso", escreveu. Segundo Vana, a renda da mãe de Eliza provém da venda de salgadinhos que ela mesmo prepara.

Em um vídeo compartilhado em suas redes sociais, Vana chegou a se referir diretamente à atual esposa de Bruno, Ingrid Calheiros para que ela interceda em favor da família de Eliza. O abaixo-assinado foi publicado no site Change.org com o título "Somos contra a MORTE jogar Futebol e ter a guarda do filho de Eliza Samudio".

De acordo com Vana, a petição será encaminhada pelos advogados da ONG assim que bater a meta de 25 mil assinaturas. O texto será enviado à FIFA, à CBF, ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ao Ministério Público de Minas Gerais e ao Supremo Tribunal Federal. "As vítima pararam de se curvar para beijar anéis. Juntos, vamos lutar por justiça. A justiça não pode ser chutada como se fosse uma bola ao gol", defende.

Compartilhar: