Em dois anos, foram perdidos 2,8 milhões de postos de trabalho no País, diz IBGE

FOTO: REPRODUÇÃO

A taxa de desocupação praticamente dobrou em dois anos, saltando de 6,8% no trimestre encerrado em janeiro de 2015 para 12,6% em janeiro de 2017

Desde o início da crise, já foram perdidos quase três milhões de postos de trabalho no País. A população empregada encolheu em 2 8 milhões de pessoas em janeiro de 2017 em relação a dois anos antes, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Dá praticamente metade da população (da cidade) do Rio de Janeiro", comparou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. O montante de vagas perdidas equivale a uma retração de 3% na população ocupada.

A taxa de desocupação praticamente dobrou em dois anos, saltando de 6,8% no trimestre encerrado em janeiro de 2015 para 12,6% em janeiro de 2017, observou Azeredo. A população desocupada cresceu 91% no período, o equivalente a 6,158 milhões de pessoas a mais em busca de uma vaga.

"Para cada pessoa que perde o trabalho, ela acaba levando mais uma ou duas pessoas para a fila da desocupação com ela. O marido que fica desempregado acaba levando a esposa e o filho que está em idade de trabalhar para procurar emprego também", disse Azeredo.

Segundo ele, a Pnad Contínua até agora não apresenta nenhum sinal de que o País esteja próximo do fim desse período de crise e recessão. "A força de trabalho brasileira está crescendo pela desocupação, não pela ocupação. Em momentos de recessão é normal isso acontecer." 

Maior procura
De açodo com Azeredo, a taxa de desemprego aumentou no trimestre encerrado em janeiro ante o trimestre imediatamente anterior porque há mais gente em busca de uma vaga.

A taxa de desemprego cresceu de 11,8% no trimestre encerrado em outubro de 2016 para 12,6% no trimestre terminado em janeiro deste ano. No período, a população ocupada ficou estatisticamente estável, com um corte de 29 mil vagas. Já a população desocupada cresceu 7,3%, com 879 mil pessoas a mais em busca de trabalho. 

"A população ocupada ficou estável, o que aumentou foi a procura por uma vaga. A pessoa começa a procurar trabalho porque acha que vai conseguir", observou Azeredo.

Entre as atividades, entretanto, a indústria demitiu 254 mil empregados, enquanto os serviços domésticos encolheram em 89 mil trabalhadores. "O ponto mais negativo da divulgação é a queda na indústria, porque ela não contrata temporários", avaliou o pesquisador.

Também houve perda de vagas com carteira assinada no período, 183 mil postos formais a menos.

Renda
A renda média dos trabalhadores ficou praticamente estável no trimestre encerrado em janeiro, em relação a um ano antes. O movimento ocorre porque, embora tenha havido demissão em massa de trabalhadores com salários mais baixos, a média salarial não sobe porque tem descontada a inflação do período, explicou Cimar Azeredo. "Tem demissão no chão de fábrica e na construção. Você tirou do mercado uma parcela considerável de pessoas com rendimento baixo. O rendimento médio poderia até subir, mas ele não sobe por conta da inflação", justificou Azeredo. 

A indústria dispensou 897 mil trabalhadores no período de um ano enquanto a construção demitiu outros 755 mil empregados. O rendimento médio real saiu de R$ 2.047 em janeiro de 2016 para R$ 2.056 em janeiro de 2017, segundo os dados da Pnad Contínua.

"A demissão na indústria é um dado preocupante. Indústria, construção e agricultura têm queda expressiva na ocupação", avaliou o coordenador do IBGE. Na agricultura, a população ocupada encolheu em 434 mil pessoas em relação a janeiro de 2016.


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População desempregada atinge recorde de 12,9 milhões de pessoas

O País registrou o patamar recorde de 12,921 milhões de pessoas desempregadas no trimestre encerrado em janeiro de 2017, dentro da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada no primeiro trimestre de 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado significa que há mais 3,302 milhões de desempregados em relação a um ano antes, o equivalente a um aumento de 34,3%. Ao mesmo tempo, o total de ocupados caiu 1,9% no período de um ano, o equivalente ao fechamento de 1,748 milhão de postos de trabalho.

Como consequência, a taxa de desemprego passou de 9,5% no trimestre até janeiro de 2016 para 12,6% no trimestre até janeiro de 2017, também a mais alta já registrada na série histórica da pesquisa.

A taxa de desemprego só não foi mais elevada porque 726 mil brasileiros migraram para a inatividade no período de um ano. O aumento na população que está fora da força de trabalho foi de 1 1% no trimestre encerrado em janeiro ante o mesmo período de 2016.

Taxa de desocupação
A taxa de desocupação no Brasil ficou em 12,6% no trimestre encerrado em janeiro de 2017, de acordo com dados da divulgados nesta sexta. 

O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma taxa de desemprego entre 11,90% e 13,20%, com mediana de 12,50%.

Em igual período de 2016, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 9,5%. No quarto trimestre de 2016, o resultado ficou em 12,0%. A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.056 no trimestre até janeiro. O resultado representa alta de 0,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 180,2 bilhões no trimestre até janeiro e ficou estável ante igual período do ano anterior.

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A pesquisa substitui a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrangia apenas as seis principais regiões metropolitanas, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produzia informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano.

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