Dilma diz que reforma da Previdência será exequível e justa para os brasileiros

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

"Há várias formas de preservar a sustentabilidade da Previdência e vamos apresentar nossas propostas", disse a presidente

A presidente Dilma Rousseff usou o início de seu discurso na cerimônia de abertura do ano legislativo para defender a reforma da Previdência Social que, segundo ela, será encaminhada ao Congresso após um debate com a sociedade. 

"Há várias formas de preservar a sustentabilidade da Previdência e vamos apresentar nossas propostas", disse. "Vamos dialogar com a sociedade para apresentar uma proposta exequível e justa", afirmou, ressaltando que o texto que será encaminhado ao Congresso terá como premissa o direito adquirido. "Envolvendo, portanto um adequado período de transição", afirmou.

"Não queremos e não vamos retirar nenhum direto dos brasileiros" completou Dilma, que foi aplaudida pelos parlamentares.

Dilma disse ainda que se dirigia ao Congresso para "prestar contas" e indicar as prioridades para o exercício que se inicia nesta terça-feira, 2. "Espero ao longo deste ano contar mais de uma vez com a parceria do Congresso", disse, destacando que o País "precisa de contribuição do Congresso Nacional". 

A presidente destacou o envelhecimento da população e disse que o impacto fiscal da reforma da Previdência será "mínimo". Segundo ela, em 2050 o País terá uma população ativa similar à de hoje com uma população acima de 60 anos três vezes maior.


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Reforma da Previdência tem intenção de 'amputar direitos', diz Força Sindical

A Força Sindical divulgou uma nota, nesta terça-feira, 2, para repudiar a iniciativa do governo federal de encaminhar uma reforma do sistema da Previdência Social. O documento afirma que a tentativa é "covarde" e tem intenção de "amputar direitos" dos trabalhadores.

"A tentativa de fazer uma reforma da Previdência para diminuir direitos é uma forma covarde de prejudicar os trabalhadores. A reforma proposta pelo governo, divulgada através dos meios de comunicação, é uma colcha de retalhos visando apenas retirar direitos conquistados com muita luta pelas entidades sindicais", afirma a nota, que chama a iniciativa do governo de "falácia da reestruturação da Previdência e do ajuste fiscal".

A Força considera "prejudiciais" medidas como limitar a idade mínima para a aposentadoria e padronizar regras para homens e mulheres. "Esta proposta é inaceitável porque prejudica quem ingressa cedo no mercado de trabalho. Ou seja, a maioria dos trabalhadores brasileiros. Mais uma vez o governo erra ao anunciar mudanças que interferem e prejudicam, e muito, o cotidiano da classe trabalhadora."

A entidade encerra o documento com a promessa de realizar manifestações e protestos "para esclarecer a sociedade sobre a tentativa de retirar direitos".

A nota é assinada pelo deputado Paulinho da Força (SD), aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e um dos principais defensores do impeachment de Dilma Rousseff no Congresso Nacional. Paulinho retomou a presidência da Força no início deste ano, após dois anos licenciado.

Miguel Torres
O dirigente que esteve à frente da Força Sindical nesses dois anos e hoje é vice-presidente da entidade, Miguel Torres, comandou nesta terça-feira uma reunião para repúdio à proposta de reformar a Previdência, além da condução da política econômica, com crescimento do desemprego.

De linha menos antagônica à presidente da República, Torres foi convidado pelo governo a integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. Contudo, na primeira reunião do órgão, em janeiro, Torres foi um dos integrantes que deixaram o encontro contrariados pelo fato de Dilma ter citado a reforma da Previdência entre as prioridades de seu governo.

Torres, também presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), coordenou em Brasília hoje a reunião com representantes de outras confederações de trabalhadores: CNTM, CNTQ, Conacovest, Contratuh, CNM, Contec, CNTU, CNTC, CNTI, Conatec, CNTA.

Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o governo estuda unificar, no longo prazo, todos os regimes de aposentadoria no País. O objetivo do projeto seria submeter às mesmas regras os setores público e privado, homens e mulheres e trabalhadores urbanos e rurais. Segundo assessores, a proposta manteria direitos e não alteraria a regra para quem está perto da aposentadoria. As mudanças seriam aplicadas de forma "lenta e gradual", em 20 ou 30 anos.

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