‘Cada um tem sua maneira de se comportar’, diz Cunha sobre declarações de Dilma

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Eduardo Cunha, falando sobre a reação de Dilma: "Já comuniquei a decisão e está lá escrito. Fui bastante zeloso nas minhas palavras. Cada um tem sua maneira de se comportar"

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tentou se esquivar de comentar a reação da presidente Dilma Rousseff após o anúncio do acolhimento do processo de impeachment. "Não vou comentar. Já comuniquei a decisão e está lá escrito. Fui bastante zeloso nas minhas palavras. Cada um tem sua maneira de se comportar", afirmou Cunha ao deixar a Câmara no final da noite de ontem, 2.

Dilma disse que razões que fundamentam pedido de impeachment são "inconsistentes e improcedentes" e se declarou "indignada" com a decisão de Cunha. Em curto pronunciamento, ela ainda alfinetou Cunha ao afirmar que não possui conta no exterior e nunca ocultou patrimônio pessoal.

O presidente da Câmara, que deu andamento ao pedido de impeachment nesta quarta-feira, é alvo de investigações pela Procuradoria-Geral da República no âmbito da Operação Lava Jato por supostamente possuir contas na Suíça das quais seria beneficiário.

Buzinaço
Quatro horas depois da deflagração do processo de impeachment, motoristas que passavam em frente ao Palácio do Planalto faziam buzinaços e gritavam palavras contra a presidente Dilma. 

Cunha anunciou a abertura do impeachment as 18h38 de ontem. Duas horas depois, a presidente fez o pronunciamento no Palácio do Planalto em que se disse confiante de que o processo será arquivado e que não há motivos para a abertura de um processo de impeachment contra ela.


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Pedido de impeachment destaca 'pedaladas' e Pasadena

O pedido de abertura de impeachment acolhido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), contra a presidente Dilma Rousseff tem como base dois escândalos que atingem diretamente a imagem de gestora da petista: as pedaladas fiscais e a compra da refinaria de Pasadena. 

No primeiro caso, o documento aponta suposta infração às leis Orçamentária e de Responsabilidade Fiscal e, no segundo, a omissão da presidente em relação "aos desmandos" na Petrobras, mencionando seu voto a favor da compra da refinaria de Pasadena (EUA) na época em que comandava o conselho de administração da estatal.

O pedido de impeachment, assinado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal, associa o negócio de Pasadena a crime de responsabilidade. "A máscara da competência fora primeiramente arranhada no episódio envolvendo a compra da Refinaria em Pasadena pela Petrobrás. Por todos os ângulos pelos quais se analisa, impossível deixar de reconhecer que o negócio, mesmo à época, se revelava extremamente prejudicial ao Brasil", apontam os juristas no parecer. 

As perdas alcançam US$ 792 milhões, conforme o Tribunal de Contas da União.

Com relação às pedaladas, os juristas escreveram que a prática "revela que os princípios inspiradores de Maquiavel estão presentes no governo federal, na medida em que os fins justificaram os meios, pois o objetivo único e exclusivo das ‘pedaladas’ foi, e ainda é, forjar uma situação fiscal do País que inexiste, sem o temor de afrontar a lei para chegar ao resultado esperado".

"Fosse um único fato, até se poderia admitir tratar-se de um descuido, ou coincidência; porém, estando-se diante de uma verdadeira continuidade delitiva, impossível crer que a Presidente da República não soubesse o que estava passando à sua volta. E os crimes se estenderam a 2015, ou seja, invadiram o segundo mandato", apontam os juristas no pedido que será, agora, analisado na Câmara. 

Os dois fatos foram revelados em séries de reportagens publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo.

'Continuidade delitiva'
Para os juristas do pedido de impeachment, "poder-se-ia aduzir que fatos anteriores ao exercício da Presidência da República seriam irrelevantes, como, por exemplo, a compra da Refinaria em Pasadena, enquanto Dilma Rousseff era Presidente do Conselho da Petrobrás". "Todavia, fazer referência a esses acontecimentos se revela preciso, não com o fim de obter responsabilização por eles, mas com o intuito de evidenciar que a tese do suposto desconhecimento se mostra insustentável. Fosse um único fato, até se poderia admitir tratar-se de um descuido, ou coincidência; porém, estando-se diante de uma verdadeira continuidade delitiva."


Aécio diz que opinião pública é quem vai definir rumos do impeachment

Com um cenário ainda indefinido em relação a uma data para a conclusão do julgamento do processo de impeachment no Congresso contra a presidente Dilma Rousseff, o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), considera que o ideal é que a discussão se arraste até o início do próximo ano. 

O recesso Legislativo está previsto para se iniciar no próximo dia 22. Até o momento, não foi definido, porém, se a comissão, que cuidará do processo de impedimento contra a petista, atuará durante o período em que não haverá atividades no Congresso.

"Talvez o recesso seja um momento para os parlamentares se encontrarem com as suas bases, com aqueles que aqui representam, e colherem de forma mais direta um sentimento que é amplo na sociedade brasileira, de que a presidente vem perdendo as condições objetivas de governar o País", afirmou Aécio. Ele se reuniu na noite de quarta-feira, 2, com lideranças da oposição após o anúncio do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sobre a abertura do processo de impeachment.

"Ao contrario do que alguns governistas hoje acreditam, que o recesso possa esfriar um pouco o tema no Congresso, esse período pode possibilitar que o tema esquente muito, no momento do retorno dos parlamentares, em que eles poderão expressar o sentimento do restaurante da esquina da casa dele, do jornaleiro da família", emendou Aécio. 

Nos cálculos do tucano, que disputou a última eleição presidencial, a situação do governo deverá se agravar nos próximos meses quando há uma sinalização de piora no quadro econômico e principalmente na questão do emprego. 

Questionado sobre a escolha dos nomes que o partido indicará para compor a comissão do impeachment, o senador afirmou que serão escalados os nomes mais qualificados.

"O PSDB da Câmara colocará alguns dos seu nomes mais qualificados para que o debate se dê em alto nível e caberá à comissão, a partir dos nomes indicados, definir o relator e presidente. Mas quem vai conduzir essa comissão não serão os líderes partidários, mas a opinião publica e o sentimento da sociedade brasileira", afirmou.

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