Blairo Maggi: Brasil e Argentina negociam estratégia para exportar soja à China

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Blairo Maggi tratou do tema com o ministro da Agroindústria da Argentina, Ricardo Buryaile

Brasil e Argentina estão negociando uma estratégia conjunta para conseguir exportar soja com maior valor agregado à China. O objetivo é obter condições que permitam aos dois países aumentar o embarque de farelo, óleo e outros derivados da oleaginosa. "O Brasil, a Argentina e os Estados Unidos têm 90% deste mercado, e na verdade a China determina algumas regras que para nós não são interessantes. Vamos afinar alguns pontos e depois tentar convencer os chineses de que temos razão", disse neste domingo o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. 

As conversas entre Brasil e Argentina já começaram. Maggi tratou do tema com o ministro da Agroindústria da Argentina, Ricardo Buryaile, quando esteve no País vizinho, no início de agosto. No domingo, 28, eles voltaram a se reunir na Expointer (Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários), em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre.

A discussão com os argentinos abre uma possibilidade de avançar numa demanda brasileira com a China que é antiga. Segundo Buryaile, tanto Brasil quanto Argentina têm a necessidade de agregar valor à soja antes de exportá-la, para fomentar as indústrias locais e, também, diversificar a pauta de exportações. 

"Estamos vendendo a eles (chineses) muito grão de soja e pouco valor agregado. É preciso falar com a China", afirmou o ministro argentino. "A ideia é que vejam que dois produtores tão importantes como Argentina e Brasil têm uma mesma visão. É sair deste esquema de produção que temos de grãos e passar a outra etapa." 

Maggi ressaltou que, no caso do Brasil, a diversificação da pauta de exportação para o país asiático pode ajudar a evitar a falta do grão da oleaginosa no mercado interno. "Vamos ter problema neste final de ano com a grande saída de grãos, talvez algumas indústrias tenham que parar de processar por falta de produto. Então, uma das políticas que podemos utilizar é esta de participação (no mercado chinês) não só de grãos, mas também de farelo e óleo", avaliou.

Buryaile disse que ele e Maggi devem voltar a se encontrar dentro de três meses para tocar uma agenda de temas em comum, entre eles a soja.


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Maggi solicita à Argentina inclusão do açúcar na pauta do Mercosul

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, aproveitou o encontro com o ministro da Agroindústria da Argentina, Ricardo Buryaile, no domingo, 28, na Expointer, para solicitar a inclusão do açúcar na pauta de comercialização do Mercosul.

O desejo brasileiro de integrar o produto ao Mercosul sempre esbarrou na resistência argentina. E, sem que isso aconteça, o Brasil não consegue avançar nas negociações para vender açúcar à União Europeia.

"Eu solicitei ao ministro argentino que o açúcar seja colocado para dentro do bloco", disse Maggi após sair do encontro. "Houve por parte do ministro e dos seus técnicos que estavam presentes a ideia de uma recepção favorável."

Maggi explicou que, para tentar convencer os argentinos, está deixando claro que o Brasil não busca tomar o mercado vizinho, mas sim obter o reconhecimento do açúcar como um produto pertencente ao bloco sul-americano.

"O Brasil coloca claramente a seguinte posição: 'vocês colocam as condicionantes'. Nós não queremos que o açúcar brasileiro invada o mercado argentino. Desejamos que o produto esteja reconhecido, para que a gente possa avançar nas negociações com a Comunidade Europeia", disse.

A expectativa do governo brasileiro é de que as conversas continuem. Este foi o terceiro encontro de Maggi com o colega argentino desde que assumiu o ministério, no governo do presidente em exercício, Michel Temer.

Maggi chegou ao Rio Grande do Sul neste sábado. Ontem, participou da abertura oficial da 39ª Expointer (Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários), em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre. Hoje, se reuniu com o Buryaile e com o ministro da Agricultura do Uruguai, Tabaré Aguerre. Depois, almoçou com lideranças do agronegócio gaúcho. A feira termina no dia 4 de setembro.


Maggi diz ter tratado com ministro de excesso de leite uruguaio no Brasil

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, encontrou pela primeira vez no domingo, 28, o ministro da Agricultura do Uruguai, Tabaré Aguerre. A reunião ocorreu na 39ª Expointer (Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários), em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre. Maggi tratou da crescente venda de leite uruguaio para o mercado brasileiro.

"A avaliação é de que todos ganham com o Mercosul e que em determinados momentos podemos ter problemas de excesso de mercadoria de um lado, que deprime o mercado de outro lado. Neste momento, por exemplo, o Uruguai vem trazendo muito leite para o Brasil, e isso tem incomodado os produtores de leite, principalmente do Rio Grande do Sul", disse Maggi após o encontro.

A ideia do governo brasileiro é dialogar com o Uruguai sobre a importação de produtos lácteos pelo Brasil. Uma alternativa seria dar seguimento a tratativas para a fixação de cotas. O pedido foi encabeçado pelo Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) durante audiência com Maggi no sábado (27), durante a Expointer.

Na ocasião, o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, entregou ofício ao ministro relatando as dificuldades impostas pela concorrência do leite uruguaio. Só nos primeiros sete meses de 2016, de acordo com o Sindilat, o Brasil importou 101,8 milhões de quilos de produtos lácteos, contra 38,68 milhões de quilos no mesmo período de 2015.

"Não foi na primeira conversa que nós conseguimos avançar. As conversas irão prosseguir", falou Maggi sobre a reunião com Aguerre. Ao falar com a imprensa, o ministro uruguaio afirmou que Brasil e Uruguai têm economias complementares.

"Desde a criação do Mercosul, houve um crescimento da agricultura no Uruguai que teve como um dos destinos o Brasil. Mas a existência do bloco também significou a perda de muitos postos de trabalho no nosso País", disse. "Temos que olhar o Mercosul com uma perspectiva de inserção no mercado internacional e não discutir que vá um pouco mais de arroz ou um pouco menos de arroz, ou um pouco mais de leite ou um pouco menos de leite."

De acordo com o ministro uruguaio, a integração dos países do Mercosul tem que se mostrar "madura e sincera" para poder negociar com os principais blocos econômicos do mundo. "São eles que protegem fortemente as suas agriculturas que são menos competitivas do que as que temos aqui nas nossas regiões", avaliou.

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