Olhar sobre o terrorismo

FOTO: REPRODUÇÃO

“É preciso enfatizar que não existe um limite nítido e bem definido entre uma personalidade considerada normal e uma transtornada. Algumas pessoas são incapazes de uma interação afetiva verdadeira e amorosa”

Os últimos fatos ocorridos em Istambul, na Turquia, e outros, há meses, em outras partes do mundo, nos fazem voltar os olhos para tentar entender o terrorismo. Logo nos vem a cabeça o termo psicopatia, palavra utilizada em caráter popular para se referir aquilo que é considerado pela psiquiatria como um transtorno de personalidade antissocial.

O autor Dalgalarrondo, em seu livro de psicopatologia, fala sobre as personalidades e suas alterações e deixa claro que “ao abordar o estudo da personalidade, deve-se estar atento à complexidade do tema e a facilidade com que se comete erros e simplificações inadequadas quando se tenta desvendar os mistérios da personalidade humana”.

É preciso enfatizar que não existe um limite nítido e bem definido entre uma personalidade considerada normal e uma transtornada. Algumas pessoas são incapazes de uma interação afetiva verdadeira e amorosa. Não têm consideração e compaixão, mentem, enganam, trapaceiam e prejudicam os outros, mesmo quem nunca lhe fez nada. Essas pessoas frequentemente têm um charme desinibido e são verbalmente fluentes, chegam a impressionar pelo discurso.

 Existe uma prevalência de até 3% da população, porém isso varia muito e pode chegar a 70% na população carcerária ou mais, considerando a atual situação política nacional. Nem todo indivíduo com este tipo de transtorno adota um comportamento criminoso reincidente, de forma recidiva, ou tem potencial para isso. A maioria deles não sabe que sofre com a doença, não aprende com a experiência deles próprios ou de terceiros e tendem a reagir aos fatores de estresse ambiental em vez de buscar uma mudança interna.

A personalidade é fruto de um somatório entre características biológicas ou geneticamente determinadas e a interação do indivíduo com o meio ambiente. Face a esta ideia, podemos pensar que os indivíduos com tendências ao extremismo, possivelmente dotados das características descritas acima, de forma convicta e desprovida de sentimentos, justificando seus atos em resposta a agressão sofrida, poderiam explodir e matar pessoas inocentes.

Alan Bussolo é psiquiatra Associado a ACP – CRM 13019 – RQE 10886

Compartilhar: